Portugal derrota um dos candidatos ao título europeu

A seleção de Fernando Santos fez uma boa primeira parte e deixou a questão encaminhada com golos de Nani e Ronaldo

Portugal venceu (2-1) ontem a Bélgica, no jogo que estava para ser em Bruxelas e acabou em Leiria por causa dos atentados terroristas de há uma semana. Perante 21 mil espectadores, viu-se um bom jogo, em que a seleção nacional esteve autoritária na primeira parte, marcando dois golos e mostrando capacidade para derrotar uma equipa que vinha de cinco vitórias consecutivas.

No tal 4X4X2 algo diferente que Santos quer implantar, Nani e Ronaldo, os dois atacantes, marcaram os golos e mostraram boa articulação com o meio-campo, que é essencial perante uma das seis se-leções apontadas como candidata ao título no Europeu. Dois bons ensaios, mesmo contando com a derrota frente à Bulgária, porque a equipa criou muito jogo em qualquer deles.

Dois golos que saíram, curiosamente, de dois livres marcados rapidamente a meio-campo, o primeiro depois de um número de Ronaldo a colocar em André Gomes na lateral da área, o qual viu bem a desmarcação de Nani, que dessa vez conseguiu bater Courtois de pé direito. O segundo foi de um cruzamento de João Mário, com Ronaldo a marcar de cabeça nas costas de Nani, que estava ao primeiro poste, isto a cinco minutos do intervalo.

Numa primeira parte em que a equipa fez nove remates e Courtois três grandes defesas, o balanço fora amplamente positivo. Boas soluções técnicas, um grande João Mário à frente e atrás, um Nani metido no jogo e CR7 a marcar e não só (uma ou outra vez irritou Fernando Santos com toques mais na bola atrasando a saída para o contra--ataque). Foram 45 minutos muito bem conseguidos e, se estes jogos valem pelas primeiras partes (depois as equipas descaracterizam--se), a de Portugal foi magnífica.

Claro que a Bélgica que apareceu em Leiria não era bem a Bélgica, porque sem Kompany, Bruyne e Hazard as coisas são diferentes. Claro que se pode alegar que também nos faltava metade do meio--campo (Moutinho e, esperemos, Tiago), mas apesar de tudo Chadli, Fellaini e Mertens têm jogado pouco nos seus clubes. O 4X3X3 da Bélgica nunca conseguiu criar grandes dificuldades táticas a Portugal. Pelo contrário, a seleção soube aproveitar o espaço que os belgas davam e meter contra-ataques uns atrás dos outros. E, como a equipa de Wilmots se foi deixando apanhar assim, levou que contar. A bola estava até mais tempo nos pés dos belgas, mas o perigo aparecia na baliza do guarda-redes do Chelsea.

O 4X4X2 que Santos voltou a desenhar para a seleção pode ser uma boa solução pelo menos para um torneio curto, como é um Europeu. Ronaldo e Nani têm um suporte forte no meio-campo a quatro, permitindo-lhes estar mais frescos para atacarem. Será um ataque ao estilo Domingos-Kostadinov, que o FC Porto teve nos anos 90, móvel e difícil de marcar, mas que precisa de afinações na fase defensiva.

De resto, na parte final do jogo, Fernando Santos até jogou com dois trincos, com William e Danilo, mais Renato Sanches, também por necessidade, porque os belgas tinham marcado num golo familiar - centro de Jordan e cabeça de Romelu, de irmão Lukaku para irmão. Faltou, nesse lance, mais coordenação a Fonte e Patrício.

A resposta portuguesa ao golo foi boa, então mais em 4X3X3 com Bernardo, Éder e Quaresma na frente (Éder continua a ser uma espécie de patinho feio, porque tudo ou quase lhe sai mal). Convinha ganhar o jogo depois da derrota com a Bulgária e, mesmo com alguns erros evitáveis, a seleção conseguiu-o sem passar muitos calafrios. Ganhou com naturalidade e com a capacidade de uma equipa adulta. Mesmo sem Ronaldo, apesar de ter sofrido o golo logo a seguir (com meia hora para jogar) a seleção mostrou-se capaz. Renato Sanches não foi titular, mas entrou melhor desta vez, tendo Santos ali ainda problemas a resolver à frente da defesa, porque Danilo e William nem sempre têm os tempos certos. Mas quando os jogadores estão alerta, perante as boas equipas, é difícil bater Portugal. Há uma estrutura, um modo de jogador e bons intérpretes, que prometem um bom Europeu.

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