Sérgio Paulinho não tem de devolver bolsa olímpica

Sérgio Paulinho, medalha de prata nos Jogos Olímpicos (JO) de Atenas 2004 e ausente em Pequim 2008, não terá de devolver a bolsa que recebeu pela preparação olímpica, disse o presidente do Comité Olímpico de Portugal.

Em entrevista à Agência Lusa, Vicente Moura revelou que o "caso Sérgio Paulinho" já está concluído e foi considerado que o ciclista, ausente de última hora em Pequim 2008, tem o "direito à dúvida".
"Fizemos um inquérito interno, para o qual pedimos a colaboração do presidente do Instituto do Desporto de Portugal, e foi considerado que [Sérgio Paulinho] tem o direito a ter a dúvida de ter justificado a sua ausência nos Jogos", explicou Vicente Moura.
Embora reconheça que na reunião não foi tratada a questão da devolução da bolsa olímpica, o dirigente considera ter ficado subentendido que o ciclista não teria de o fazer, por a sua justificação ter sido aceite.
No entanto, Vicente Moura advertiu que, nos próximos protocolos a celebrar com os atletas olímpicos, situações como esta vão ser alteradas, quer em termos de duração da bolsa, como de imagem: nomeadamente os atletas terão de dar algumas contrapartidas, como a presença em alguns eventos desportivos.
Nas vésperas da partida da Missão para Pequim, Sérgio Paulinho, da Astana, informou a Federação Portuguesa de Ciclismo de que era asmático, alérgico ao pólen, e necessitava de medicação para controlar os sintomas. Fármacos estes que fazem parte da lista de substâncias consideradas doping.
A situação estava devidamente clarificada junto da União Ciclista Internacional (UCI), com autorizações de utilização terapêutica de dopantes, mas a 27 de Julho de 2008, data em que o ciclista passou para a sua alçada, o Comité Olímpico Internacional (COI) suspendeu toda a sua medicação, apesar do pedido de autorização feito pelo atleta - os exames que verificam se um atleta é realmente asmático são mais estrictos no COI do que na UCI e Paulinho chumbou nesses testes.
A 2 de Agosto de 2008, Sérgio Paulinho participou na Clássica de San Sebastián, no País Basco, onde se viu obrigado a desistir devido ao seu estado de saúde - não estava a tomar a medicação-, e considerou que a melhor opção seria não embarcar para Pequim, onde devia competir precisamente uma semana depois.
Já em relação ao "caso Marco Fortes", Vicente Moura reiterou tudo aquilo que já disse anteriormente, reafirmando que o atleta não foi expulso de Pequim.
"Ele não foi expulso, está escrito. Ele foi convidado a sair, isso é verdade. Foi o Chefe de Missão [Manuel Boa de Jesus] que me informou que tinha indeferido o pedido de prolongar a presença do Marco [Fortes] lá", explicou.
Após a prova do lançamento do peso em Pequim2008, o atleta do Sporting justificou o seu mau resultado com dificuldades em disputar as provas de manhã, "brincadeira" que acabou por ser mal acolhida.
No relatório da Missão Olímpica, Boa de Jesus, admite ter antecipado o regresso a Portugal do lançador do peso face à "indignação generalizada dos portugueses".

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