Segurança dispara mas mortes continuam

O piloto japonês Shoya Tomizawa foi a quarta vítima de morte por acidente nos últimos 21 anos de campeonatos do mundo.

De todos os desportos motorizados, o motociclismo continua a ser provavelmente o que mais riscos implica para os pilotos, mas o número de mortos tem sido drasticamente reduzido nas últimas duas décadas devido à introdução de dispositivos de segurança em circuitos, motos e equipamentos.

O japonês Shoya Tomizawa, que morreu no domingo no circuito de Misano, no Grande Prémio de San Marino, na prova de Moto 2, foi a quarta vítima em 21 anos de provas dos campeonatos do mundo de velocidade (quinta se contarmos com a morte do jovem americano de 13 anos, Peter Lenz, morto na semana passada em Indianapolis numa prova de rookies). Mas Tomizawa teve azar; caiu e foi atingido pelas motos de Alex de Angelis e Scott Redding, que o seguiam a escassos metros.

Foi um acidente atípico, em que nem as largas escapatórias nem o moderno ultraprotector fato de competição (ver infografia) lhe valeram.

Os campeonatos de mundo de motociclismo contam 61 anos e, no total, registam seis dezenas de mortes, sendo que 56 se registaram nos primeiros 40 anos, antes da corrida às medidas de segurança. Nos últimos 21 anos, curiosamente, as três últimas vítimas foram todas de nacionalidade nipónica. Antes do acidente de domingo, que matou Tomizawa, com 19 anos, Daijiro Kato (27 anos) não resistiu a um acidente em Abril de 2003, em Suzuka, e Noboyuki Wakai foi ceifado no Grande Prémio de Espanha, em 1992.

Por seu turno, o venezuelano Iván Palazzese perdeu a vida no circuito alemão de Hockenheim, quando a sua Aprilia colidiu com a moto de um adversário, em 1989. Mas se recuarmos mais no tempo, a lista começa a aumentar consideravelmente. Daí que , desde os anos 70 do século passado, pilotos, promotores e construtores tenham feito esforços no sentido de minimizar os enormes riscos das competições.

O antigo campeão Giacomo Agostini foi um dos primeiros a lançar o alerta, em 1973, ao recusar-se a correr na ilha de Man por falta de condições de segurança (ver caixa), cujas contas de mortes não entram para esta contabilidade. E recorde-se que, nessa altura, não se assistiam às quedas que são comuns a todos os actuais grandes prémios, em que os pilotos deslisam pela pista e pelas escapatórias, saindo ilesos. Medidas de segurança nos circuitos, a evolução verificada nas motos e os novos fatos e capacetes protectores, reforçados com materiais compósitos, reduziram consideravelmente os riscos para os pilotos. Mas com motos com pouco mais de 120 quilos e mais de 200 cv em pista, certo é que as mortes vão continuar.

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