Saltadores sucedem a fundistas

Nélson Évora, no triplo salto, e Naide Gomes, no salto em comprimento, são as grandes esperanças para as medalhas. Quanto a fundistas, apenas o veterano Rui Silva sonha com um lugar no pódio dos 1500 m.

De um país de fundistas, Portugal passou a ser conhecido internacionalmente por ter dois do melhores saltadores do mundo. Há 20 anos ninguém sonharia que Portugal algum dia pudesse contar com dois atletas como Nélson Évora, campeão olímpico, e Naide Gomes, campeã europeia e mundial indoor; os grandes sucessores de Carlos Calado, recordista nacional do salto em comprimento que em Edmonton 2001 surpreendeu o mundo com a medalha de bronze.

O meio-fundo e fundo nacional eclipsaram-se após arrecadarem 12 das 15 medalhas em Mundiais. Apenas os saltadores Nélson Évora (ouro) e Carlos Calado (bronze) e a marchadora Susana Feitor (bronze) subiram ao pódio.

Desde a primeira medalha conquistada por Rosa Mota para Portugal, o ouro na maratona dos Mundiais de Roma 1987, até ao ouro de Nélson Évora nos últimos mundiais de Osaka 2007, os portugueses desapareceram progressivamente dos palcos internacionais. Da enorme geração de fundistas, apenas Rui Silva resistiu, mantendo-se a competir pelos lugares do pódio.

A partir de hoje e até dia 23, serão os saltadores Nélson Évora e Naide Gomes as grandes esperanças para chegar às medalhas nos Mundiais de Berlim. Portugal conta com uma presença recorde de 30 atletas. Entre eles espera-se alguma surpresa entre os marchadores. Susana Feitor compete os seus décimos mundiais. A medalha de bronze da edição de 2005, em Helsínquia, é uma "miragem" e diz que se ficar nos dez primeiros lugares já será bom, numa equipa em que, desta feita, está menos bem que as companheiras de prova Inês Henriques e Vera Santos. Francis Obikwelu corre na Alemanha, após ter dito que abandonaria as pistas depois de Pequim, mas apenas na estafeta de 4x100 metros.

Quanto a fundistas, entre os onze seleccionados, Rui Silva reaparece mais uma vez após a ausência de Pequim, capaz de lutar por um lugar no pódio dos 1500 metros. Em 2008, o sportinguista, após vários problemas físicos - nem sequer conseguiu mínimos para os Jogos Olímpicos do ano transacto - está "rejuvenescido" e já este ano logrou uma vitória autoritária nos Europeus de pista coberta, onde confirmou que é um dos melhores no plano táctico. Poderá ser um dos poucos europeus na final dos 1500 metros.

Nélson Évora está ao nível de Osaka 2007 e Pequim 2008, pelo menos, e aparenta uma confiança "de ferro", reafirmando que já derrotou a concorrência principal e que está determinado a fazê-lo de novo.

Naide Gomes regressa após a desilusão de Pequim e novamente como favorita: tem a segunda marca do ano, com 6,99 metros, numa listagem em que a primeira é a norte-americana Britney Reese, com 7,06 metros. Mas também terá de enfrentar a armada russa e a brasileira Mureen Maggi, campeã olímpica surpresa há um ano em terras do Oriente.

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