"Posso estar em alto-mar e comer um bom caldo-verde português"

Ricardo Diniz estreia-se na mítica Rota do Rum, prova de vela solitária que liga a França ao México. Espera fazer travessia em 24 dias

"Há uns anos trabalhava nos barcos que iam participar na Route du Rhum, agora vou participar. Às vezes não acredito! Foi muito duro chegar aqui..." Foi assim que o velejador solitário, Ricardo Diniz, abriu o coração ao DN, dias antes de começar a mítica prova transatlântica, que liga St. Malo (França) a Guadalupe (México), desde 1978, a cada quatro anos, e que o português espera cumprir em 24 dias ou 21 "se tiver vento e mar a favor"...

É o primeiro português a fazer a travessia e não está habituado a tanta atenção. "Há milhares de pessoas nas docas, querem ver os barcos, tirar fotografias, pedir autógrafos, falar connosco. Para ter algum sossego estes dias só saindo incógnito, de gorro e roupa informal. É uma atenção muito boa, mas eu estou doido para ir para o mar e ficar sozinho", confessa o velejador... solitário.

Desta vez, vai ter a companhia de mais de 90 embarcações em alto-mar, desde os F1 à vela aos pequenos veleiros como o dele: "O barco é a minha ligação à vida. O mar por vezes é injusto, mas o barco nunca!"

Ricardo vai encarar o mar pela primeira vez em competição: "Para mim competir é chegar ao fim." E assim que partir de St. Malo, no domingo, entra "em modo militar". Ou seja, esquece o frio, a fome e o sono, porque o primeiro objetivo é "sobreviver à primeira semana!". E esperam-no "dias muito duros" em alto-mar. "Nos primeiros dias vou estar quase sempre acordado. Durmo quatro horas por dia, 10 a 15 minutos de cada vez. Mas pela previsão do tempo, acho que nem isso vai dar. Está previsto um temporal na zona de França nos primeiros dias e ninguém vai dormir com medo de bater noutro barco ou afastar-se da rota", contou.

Para estar alerta é essencial manter-se hidratado, beber muita água e ingerir suplementos vitamínicos. Apesar de ter uma alimentação cuidada "por norma", durante a preparação para a prova o velejador preocupou-se em recuperar os sete quilos perdidos na expedição ao Brasil em junho: "Já sei que os vou perder outra vez!"

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