Portugal com a pior participação em três décadas

Uma medalha de bronze, três recordes nacionais e 10 resultados de "top oito" foram o balanço para Portugal nos Europeus de atletismo.

Uma medalha de bronze, três recordes nacionais e um total de 10 resultados de "top oito" são o lado positivo de Portugal nos Europeus de atletismo, o que não afasta o quadro global da pior participação em três décadas.

Para Zurique, nos Europeus que decorreram entre terça-feira e hoje, a previsão da Federação (FPA) de "uma a três medalhas" cumpriu-se a custo, graças ao terceiro lugar de Jéssica Augusto numa corrida de maratona de grande nível, que deu a Portugal a 29.ª medalha do seu historial.

Em termos de medalhas, é preciso recuar até 1986 para se encontrar outra edição com apenas uma medalha lusa, só que nesse ano, tal como em 1982, a distinção foi de ouro, com Rosa Mota. Pior mesmo, só em 1978, o último ano sem qualquer medalha.

Para o lado negativo do balanço pesam a forma como a campeã dos 10.000 metros de Helsínquia fraquejou - Dulce Félix foi a 12.ª - e ainda o não apuramento para a final do triplo de Patrícia Mamona, vice-campeã há dois anos e assumidamente apresentada pelos responsáveis portugueses como candidata a medalha.

Na classificação por pontos (valorizando os atletas até ao oitavo), os números são um pouco mais positivos, com 10 resultados a valer 25 pontos e o 15.º lugar entre todos os países participantes - o que até é melhor que 2002 e 1982, quando o país terminou em 18.º. Face a Helsínquia, Portugal "cai" dois lugares.

Além de Jessica Augusto, Sara Moreira contribui bem para o total português, com um quinto e um sexto lugares nos 10.000 e 5.000 metros, classificações excelentes para quem regressou de maternidade há meses.

Ana Cabecinha, sexta nos 20 km marcha, assegurou, a par de Jéssica, a presença no projeto olímpico Rio2016, para o qual também entra, ainda que só por um ano, Susana Costa, oitava no triplo salto.

No setor feminino, realce ainda para o 15.º lugar de Filomena Costa na maratona, na sua primeira corrida a este nível, e para a estafeta de 4x400 metros, décima, com melhor marca do ano.

Bem esteve a estafeta masculina de 4x100 metros nas semifinais, garantindo o apuramento, com recorde nacional, para depois ser "traída" na final pela lesão de Arnaldo Abrantes, que já não conseguiu transmitir o testemunho a Yazaldes Nascimento.

Este, o melhor velocista luso da atualidade, foi finalista dos 100 metros, o que já não acontecia desde as presenças de Francis Obikwelu. Correu melhor nas séries e semifinais, após o que um incidente com o que pensava ser uma falsa partida o afetou visivelmente.

Em grande forma esteve também o ex-júnior Rocardo Santos, que bateu por duas vezes o recorde nacional absoluto de 400 metros, nas séries e semifinais, falhando a corrida decisiva por um posto apenas.

Diogo Ferreira e Edi Maia conseguiram uma dupla qualificação histórica no salto com vara, sendo na final Edi o oitavo classificado.

Menos bem que em ocasiões anteriores, Nélson Évora (triplo) e Marco Fortes (peso) foram claros finalistas e garantiram mais um resultado de top-10 para currículos vastos.

No meio-fundo, Ricardo Ribas foi o melhor, correndo na terça-feira os 10.000 metros, em 12.º, para hoje ser 10.º na maratona, um resultado que lhe dá direito a bolsa olímpica por um ano.

Resumo das classificações dos portugueses:

Masculinos:

100 metros (37 concorrentes):

Yazaldes Nascimento, 8.º (10,46 segundos, 10,27 nas séries).

Diogo Antunes, 32.º (10,61).

200 metros (32):

David Lima, 26.º (21,25).

400 metros (40):

Ricardo Santos, 9.º (45,74, recorde nacional).

800 metros (34):

Sandy Martins, 26.º (1.59,51).

1.500 metros (32):

Emanuel Rolim, 21.º (3.42,22).

10.000 metros (24):

Ricardo Ribas, 12.º (29.09,47).

Maratona (72):

Ricardo Ribas, 10.º (2:15.43).

José Moreira, 39.º (2:24.23).

Rui Pedro Silva, desistiu.

Hermano Ferreira, desistiu.

110 metros barreiras (32):

João Almeida, 18.º (13,58, melhor marca pessoal do ano).

3.000 metros obstáculos (28):

Alberto Paulo, 24.º (8.47,18).

Triplo (23):

Nélson Évora, 6.º (16,78).

Vara (29):

Edi Maia, 8.º, (5,60).

Diogo Ferreira, 12.º (sem marca, 5,50 na qualificação).

Peso (23):

Marco Fortes, 7.º (20,35).

4x100 metros (16):

Portugal, 7.º (sem marca, 38,79 na semi-final, recorde nacional).

20 km marcha (34):

João Vieira (desistiu).

Sérgio Vieira (desistiu).

50 km marcha (35):

Pedro Isidro, 25.º (4:07,44).

Femininos:

100 metros (37):

Carla Tavares, 32.ª (11,78).

200 metros (35):

Carla Tavares, 27.ª (23,90).

400 metros (29):

Cátia Azevedo, 18ª (52,87).

5.000 metros (16):

Sara Moreira, 6.ª (15.38,13).

10.000 metros (26):

Sara Moreira, 5.ª (32.30,12).

Dulce Félix, 12.ª (32.35,90).

Salomé Rocha, 16.ª (33.05,49).

Maratona (53):

Jessica Augusto, 3.ª (2:25.41).

Filomena Costa, 15.ª (2:32.50).

Marisa Barros, 20.ª (2:34.35).

4x400 metros barreiras (26):

Vera Barbosa, 10.ª (56,33, 55,85 na primeira ronda).

20 km marcha (29):

Ana Cabecinha, 6.ª (1:28.40).

Inês Henriques, 13.ª (1:31.32).

Triplo (23):

Susana Costa, 8.ª (13,78).

Patrícia Mamona, 13.ª (13,62).

Vara (29):

Marta Onofre, 24.ª (4,15).

Cátia Pereira, 25.ª (4,00).

Leonor Tavares, 25.ª (4,00).

Disco (22):

Irina Rodrigues, 14.ª (52,53).

4x400 metros (16):

Portugal, 10.º (3:35,41, melhor marca nacional do ano).

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