Susana Feitor, a veterana que não quer parar

Susana Feitor vai competir hoje nos décimos Mundiais da sua carreira. Sempre com o boné na cabeça, em homenagem a uma maratonista suíça

Todos a conhecem por sempre trazer um chapéu na cabeça em todas as competições. Não, não é Vanessa Fernandes. A triatleta do Benfica ainda é uma jovem de 23 anos que tem ainda muito para dar ao desporto apesar de já ter conseguido uma medalha de prata nos jogos de Pequim. Referimo-nos a Susana Feitor também ela campeã, também ela recordista.

Hoje, em Berlim, com 34 anos, quando se apresentar à partida nos 20 km marcha, vai bater outro importante recorde na sua carreira: dez participações em Campeonatos do Mundo. O ano passado, em Pequim, obteve a incrível marca de cinco presenças olímpicas. Apesar da longevidade, Susana Feitor não pretende arrumar as sapatilhas e em Berlim assume que irá competir por um lugar entre as dez primeiras. "Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém" diz ao DN, a sorrir. Porque isto de marcha atlética tem muito que se lhe diga: "Já cheguei a estar à entrada do estádio a lutar por medalhas e ser desclassificada injustamente". O seu treinador de sempre, Jorge Miguel, acrescenta: "A marcha tem uma particularidade altamente subjectiva que é a eliminação de atletas por três faltas cometidas (tem que ter sempre um dos pés no solo)." "Todavia", refere o técnico " há atletas de determinados países que nunca sofrem faltas apesar de tecnicamente marcharem de igual forma que outros adversários". Soluções? questionamos, "Não é com tecnologia, com a colocação de chips nos sapatos dos atletas que resolvemos o problema é sim como maior consciencialização e rigor dos juízes.", explica. Para desabafar: "Isto na marcha também tem muitos lóbis e um país pequeno é sempre prejudicado."

Não é por isso que o técnico pretende justificar a humildade na definição de objectivos da sua pupila que se apressa a acrescentar : "Desde que fui campeã da Europa e do Mundo de juniores muita coisa mudou naturalmente. Entrei para a faculdade, comecei a treinar mais, mas as condições de treino não acompanharam essa alterações e as lesões apareceram", justifica a atleta que foi medalha de bronze nos mundiais de Helsínquia 20005 numa competição onde soma ainda um 4.º, 5.º e 9.º lugar. Resultados que estão na base da promoção da modalidades em Portugal e ao aparecimento de jovens atletas que são já hoje grandes certezas como são os casos das suas colegas em Berlim, Inês Henriques, sétima nos Mundiais de Osaka 2007, e Vera Santos, 9.ª classificada em Pequim 2008.

Susana não quer ainda falar em terminar a carreira. Por isso o Europeu de 2010 ainda está no seu horizonte. "Depois decido", diz a futura licenciada em Educação Física. Hoje, voltará a usar o boné - plenamente justificado pelo calor que se faz sentir ( mais de 25 graus pelas 12.00 em Berlim, 11.00 em Lisboa) - em homenagem à maratonista suíça [Gabriela Andersen] que nas Olimpíadas de Los Angeles 84 entrou na pista a cambalear desidratada. "Fiquei impressionada. Era uma miúda. O treino desse dia foi o primeiro com boné", finaliza em tom de recordação.

Ler mais

Exclusivos