Reviravolta histórica dá oitava Taça a Direito

A perder por 15-0 ao intervalo, advogados encetaram na 2.ª parte uma recuperação fantástica e com um ensaio do veterano Diogo Coutinho, três minutos para lá do tempo regulamentar, derrotaram o CDUL, por 26-22, nesta tarde de sexta feira no Jamor, vencendo a 52.ª edição da Taça de Portugal.

Foi um triunfo histórico para Direito, que com a sua quarta final consecutiva ganha em diferentes competições (e terceira contra o CDUL), passa a deter todos os troféus que disputa: campeonato, Taça de Portugal, Supertaça e Taça Ibérica!

E até esteve bem perto de acontecer a primeira vitória em finais do CDUL frente aos seus rivais de Monsanto nos 60 anos que os dois clubes têm de existência.

Mas um pontapé mal dado por Pedro Cabral (ele que apontara os 15 pontos da sua equipa no 1.º tempo) que, com tempo e espaço na sua área de validação, não conseguiu aliviar a pressão e colocar a oval fora do terreno, dando origem ao lance que decidiria a contenda já para lá do período regulamentar, manteve este registo negativo dos universitários. Talvez em maio, se ambos atingirem a final do campeonato...

Esta final inédita (pois nas anteriores 51 as duas equipas nunca se tinham defrontado) constituiu uma partida não muito bem jogada mas cheia de incidências, com um jogador expulso para cada lado e, como um bom chavão, teve duas partes distintas.

No 1.º tempo, a favor do vento o CDUL (que alinhou sem o seu formação titular, o internacional Francisco Pinto de Magalhães, castigado) foi sempre superior, em especial no combate no solo, onde Direito provou o veneno que costuma dar a tomar aos seus adversários, tendo sido completamente dominado nesse importante departamento do jogo.

Aos 13' e com os homens de Damien Steele na frente (3-0), uma placagem perigosa ("spear tackle") do talonador do CDUL Duarte Foro a Gonçalo Malheiro, levou o árbitro Paulo Duarte a mostrar o primeiro vermelho do encontro, o que obrigou à saída do perigoso e rápido ponta Tomás Noronha para entrar Bruno Medeiros para a 1.ª linha.

Mas nem essa contrariedade de ficar sem uma das suas principais armas de ataque impediu o CDUL de se manter por cima. E Pedro Cabral ia capitalizando sem mácula as muitas faltas advogadas nas formações espontâneas: 6-0, 9-0 e 12-0.

Até que à beira do intervalo uma duríssima placagem do tonguiano Seti Filo a Adérito Esteves - no meio de toda aquela apatia e incríveis momentos de desconcentração foi o único advogado que mostrou ganas de vencer nos 40 minutos iniciais - causou enorme sururu, com Vasco Fragoso Mendes a perder por completo a cabeça e ao pisar "re-pe-ti-da-men-te" um adversário foi ele próprio que se mostrou o óbvio cartão vermelho, equilibrando de novo as equipas, que passavam a estar com 14 homens cada. E antes do apito para o intervalo Cabral acertaria nova penalidade (a quinta!) para 15-0 no descanso.

Nos balneários o treinador advogado Martim Aguiar deve ter dito das boas aos seus jogadores, pois Direito surgiu transfigurado, finalmente mais próximo da equipa glutona que adora disputar e ganhar finais. O campo inclinou-se decididamente para o meio-campo do CDUL e foi a vez de, "Malheiro a Malheiro encher Direito o papo". Ou seja, com quatro penalidades, o médio de abertura advogado encurtava distâncias para 15-12, aos 68'.

E só aí, com medo da iminente reviravolta no resultado, o CDUL acordou, espreguiçou o seu jogo e construindo por fim uma jogada com várias fases, não só pisava pela primeira vez, na 2.ª parte, a área contrária, como até faria o ensaio inaugural da partida, aos 72', através do entrado asa João Lino (22-12).

E quando se esperaria que os derradeiros oito minutos fossem um passeio de consagração para os universitários, estes puseram-se a jeito... e o céu caiu-lhes literalmente em cima. Indo buscar forças onde nem eles próprios saberão onde, os advogados encostaram os adversários, já muito desgastados (surgiam cãibras em vários jogadores) às cordas. E em quatro minutos aconteceria uma reviravolta que irá ficar nos anais.

Primeiro foi o 2.ª linha Luís Sousa (esteve enorme nos alinhamentos) a desenhar uma obra de arte em forma de impressionante 'slalom gigante' partindo os rins a diversos adversários para fazer o ensaio, convertido por Malheiro, dos 22-19.

E com o CDUL já sem capacidade de reação, surgiria o tal mau alívio de Cabral - aquela bola tinha que sair, mandam os livros, as regras, o relógio, o resultado numa final... -, com a oval a ser captada por Adérito Esteves, que arranca a direito e dá a Salvador Palha, entrado havia pouco e que escapa a uma placagem encostado à linha lateral e transmite a - quem mais viria no apoio? - Diogo Coutinho, também em campo há poucos minutos.

O veterano de muitas batalhas e outros tantos êxitos (é o único advogado presente em todos os nove títulos do seu clube!) só teve que, decidido, mergulhar para o ensaio que o fará entrar (ainda mais) na história e que dava início aos festejos de mais um troféu para a vitrina de Monsanto. Esta foi a 8.ª Taça de Portugal e, não tenham dúvidas, a mais difícil e saborosa.

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