Nuno Lopes é o novo técnico do Sporting

O treinador de hóquei em patins Nuno Lopes assumiu esta quarta-feira o comando técnico dos leões, rubricando contrato por época e meia, e sucede a Hugo Gaidão na liderança dos "leões".

A ocupar atualmente o 13.º lugar do campeonato nacional e em zona de despromoção, Gilberto Dias Borges, responsável pela secção do Sporting, e João Alves, diretor-geral, alinharam pelo mesmo diapasão, mostrando total confiança no plantel e nas qualidades do novo treinador.

O presidente "leonino", Bruno de Carvalho, também marcou presença e afirmou esperar que Nuno Lopes mostre "as garras do leão" para servir bem o clube, de forma a que os jogadores deem "uma resposta cabal àquilo que são os pergaminhos do Sporting".

"O hóquei é um projeto que nos orgulha muito. Nos nossos escalões de formação estamos na luta por todos os títulos nacionais e regionais. Nos séniores, uma má fase permite fazer alterações. O trabalho não vai ser fácil. Acredito que vamos fazer melhor, porque temos atletas para isso", disse Bruno de Carvalho.

Perante duas dezenas de associados, presentes no auditório Artur Agostinho, no Estádio José Alvalade, Nuno Lopes mostrou forte vontade de garantir a manutenção da equipa na I divisão e não escondeu a emoção de defrontar, na próxima jornada, o clube que agora deixa, o Sporting de Tomar.

"Será um dia de grandes emoções. Agradeço a todos os que me ajudaram a chegar aqui. A partir de hoje será esta a minha casa, é este o meu clube. Tenho de defender estas cores. Este é um desafio que ambicionava há muito. Estamos prontos para ele", disse Nuno Lopes.

Quando ainda faltam 42 pontos para disputar, o agora treinador dos "leões" acredita que o atual plantel tem todas as condições para atingir os objetivos delineados desde o início da temporada.

"Não tenho dúvidas de que o plantel dá garantias. Temos 11 jogadores séniores e alguns juniores. Têm muita qualidade e vamos garantir a manutenção", concluiu.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.