Nélson Évora sagra-se campeão europeu de triplo salto

O atleta português conquistou a primeira medalha de ouro da carreira nos Europeus de pista coberta, ao saltar 17,21 metros, superando o recordista espanhol, Pablo Torrijos.

Nélson Évora conquistou a medalha de ouro na prova de triplo salto dos Europeus de pista coberta, em Praga, uma distinção inédita na carreira do campeão olímpico de 2008.

É o regresso de Nélson Évora às grandes conquistas internacionais, após um longo calvário de lesões que o afastou dos Jogos Olímpicos de Londres. Aos 30 anos, o atleta de origem cabo-verdiana garante a 20.ª medalha para Portugal no historial dos Europeus, a 11.ª de ouro.

Ao saltar 17,15 metros no quinto ensaio, Nélson Évora garantiu a medalha de ouro, superando o espanhol Pablo Torrijos, de 22 anos, que com a marca de 17,04 metros impôs um novo recorde espanhol. No entanto, na derradeira tentativa Torrijos não foi além de 16,34 metros.

No salto da consagração, Nélson Évora conseguiu 17,21 metros, após ter tido dois ensaios nulos e marcas de 16,98 e 16,97 na terceira e quarta tentativas. É a melhor marca portuguesa do ano (Évora saltou 17,19 metros nos nacionais, em Pombal), um registo que vale... ouro.

"Hoje, saltei mais com a cabeça do que com o coração. Mas consegui, e foi uma boa preparação para a época ao ar livre, que terá mais adversários", disse no final do concurso o saltador do Benfica, que já tem mínimos para os Mundiais de Pequim, em agosto.

Destacou a réplica dos adversários (o espanhol Torrijos passou-o na quinta série de saltos) para o resultado conseguido: "Estou certo de que os outros atletas me ajudaram a ir para a frente e conseguir um bom resultado hoje. Foi uma competição emocionante, mas difícil, de que gostei".

"Este é um momento espetacular, depois de tantos anos de lesão e um exemplo para todos os que não acreditavam que era possível. Não podia ter feito melhor, estou fisicamente bem e não tenho dores", disse ainda.

De acordo com Nelson Évora, "na prova, a tarefa principal era ter que lidar com a técnica e a corrida para impulsão", dizendo que "a superfície da pista é de loucos, é muito difícil ficar equilibrado".

"Depois de me acostumar [após dois nulos], os saltos melhoraram também", disse ainda o campeão olímpico de 2008, que continua a referir o recordista mundial como referência.

Projetando a carreira que ainda poderá ter, depois dos 30 anos, referiu: "Eu não tenho um limite... Claro, Jonathan Edwards é o meu ídolo e eu gostaria de aprender a perceber a técnica como ele conseguiu".

"Ainda falta muito para os Jogos Olímpicos, vamos passo a passo, preparar o que está mais perto. Agora os 'meetings', depois o Campeonato do Mundo, e só depois os Jogos", defendeu o novo campeão europeu, que acrescentou: "Hoje, desfrutei da competição e não poderia estar mais contente, depois virá um período duro de treino para entrar nas melhores competições internacionais".

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