Brasil confiante em mega-orçamento

Um mega-orçamento de 28,8 mil milhões de reais (10,8 mil milhões de euros) fazem da proposta do Rio de Janeiro a mais ambiciosa das quatro candidaturas finalistas à organização dos Jogos Olímpicos de 2016.

A poucos dias da decisão, que será conhecida durante a 121.ª Sessão do Comité Olímpico Internacional (COI), sexta-feira, em Copenhaga, os responsáveis brasileiros confiam no que consideram um dos seus maiores trunfos: estão prontas, ou em vias de construção, o maior número de infra-estruturas para a competição.

As instalações desportivas utilizadas nos Pan-Americanos (2007), as que serão construídas e aperfeiçoadas para os Jogos Mundiais Militares (2011), as da Taça das Confederações (2013) e do Campeonato do Mundo da FIFA (2014) representam mais da metade do previsto.

Cerca de 70 por cento dos investimentos necessários por parte do poder público já estão em andamento e apenas será necessário realizar um terço das obras, segundo as autoridades brasileiras.

O governo brasileiro também não poupou esforços na divulgação da candidatura. O ministro brasileiro dos Desportos, Orlando Silva, realçou que edição dos Jogos Olímpicos em 2016 no Rio de Janeiro seria "histórica", pois seria a primeira cidade da América do Sul a acolher o evento.

"Os jogos serão uma oportunidade para afirmar o país no cenário internacional e inserir o Brasil num clube restrito das principais potências olímpicas em todo o mundo", afirmou o ministro durante a apresentação da candidatura.

O dossier de Candidatura do Rio envolveu cerca de 500 profissionais para a sua elaboração, reunindo 538 páginas com detalhes técnicos referentes a 50 garantias exigidas pelo COI. No total, 700 quilos de documentos, em 20 volumes de garantias, foram entregues aos membros do COI.

Uma sondagem do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), realizada em 2008, mostrava que 70 por cento dos brasileiros são favoráveis e 82 por cento acreditam que os Jogos trarão benefícios à cidade.

No final de Abril, a comissão avaliadora do COI visitou o Rio e, na ocasião, Carlos Arthur Nuzman, representante do comité de candidatura do Rio e presidente do Comité Olímpico Brasileiro (COB), afirmou que o Rio de Janeiro e o Brasil estão "politicamente estruturados para receber os Jogos Olímpicos" com "orçamento realista".

A forma como o Brasil está a responder à crise financeira é uma vantagem, defenderam a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, quando apresentaram as condições macro-económicas aos avaliadores do COI. O argumento é de que os Jogos estão protegidos contra a crise económica.

Contudo, COI destacou a necessidade de o Rio de Janeiro expandir a oferta de camas para os visitantes. A cidade comprometeu-se a oferecer 48 mil quartos, dos quais 8500 seriam de seis cruzeiros marítimos que o comité organizador espera que passem pela cidade durante o evento.

O Rio de Janeiro já está a preparar a festa para o 2 de Outubro, com espectáculos de artistas brasileiros na orla da praia de Copacabana.

Um ecrã gigante vai mostrar a votação do Comité Olímpico Internacional em Copenhaga e o nome da cidade sede deve ser anunciado até às 14:00 horas do Brasil (19:00 em Lisboa).

O presidente Lula da Silva também entrou no processo e afirmou que o Brasil é o único entre as 10 maiores economias do mundo que nunca organizou os Jogos e aproveitou a recente visita a Nova Iorque, onde participou da Assembleia Geral da ONU, para defender a escolha do Rio.

"Para outros países, será mais uma Olimpíada. Mas, para o Brasil, será algo que vai aumentar a auto-estima dos brasileiros, Nenhuma outra cidade precisa sediar os Jogos. O meu optimismo com o Rio é tão grande que não dá para medir", disse Lula em Nova Iorque.

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