Benfica vai de mal a (muito) pior

Pela segunda semana consecutiva, os encarnados sofreram pesada derrota. Esta tarde, na Sobreda, foram "amassados" por 127-0 por um Direito sem clemência perante tanta juventude. Em Arcos de Valdevez, o CRAV surpreendeu o Belenenses.

A 4.ª jornada do Nacional voltou a colocar frente-a-frente equipas dos grupos A e B, no segundo "round", em semanas consecutivas, entre quinzes com argumentos e expetativas teoricamente diferentes. E ao contrário do último fim-de-semana, no qual os cinco favoritos, jogando em casa, triunfaram, desta feita houve uma surpresa, com o CRAV a bater em casa o Belenenses, por 30-20.

Na Sobreda, Benfica foi cilindrado por Direito, que venceu por 127-0. Mesmo alinhando sem o capitão Vasco Uva - operado esta semana a uma mão partida sábado, frente ao Cascais, o que o manterá afastado dos relvados por um período de seis semanas - a equipa de Monsanto já pôde contar com o influente Pedro Leal, regressado da presença da seleção de sevens na etapa de Gold Coast, e que hoje alinhou como segundo-centro. Os advogados marcaram logo aos 6" (pelo ponta Formigal), aos 25" já tinham ponto de bónus pelo quarto ensaio, concluindo a função com um total de 19 ensaios, com destaque para António Aguilar (4), Rui d"Orey e Pedro Leal (3), com este a juntar nove conversões para um total de 33 pontos conseguidos.

De Arcos de Valdevez veio o resultado surpreendente da ronda com o triunfo do CRAV sobre o Belenenses, por 30-20. Os azuis, autorizados a poder utilizar os seus cinco jogadores dos sevens, contrariando o determinado anteriormente pela FPR quanto aos fins-de-semana pós-etapas do circuito IRB, acabaram por não fazer jogar qualquer deles. E apesar de estarem na frente ao intervalo (10-9), quando aos 15" da 2.ª parte, e por indicação do auxiliar do árbitro Damien Steele, tiveram dois jogadores excluídos 10" por amarelo no mesmo lance (!), escancararam uma porta por onde o quinze minhoto entrou para não mais perder o controlo do jogo. Naqueles 10 minutos o CRAV - que estreou o pilar japonês Miasato - tirou partido de jogar 15 contra 13, e alcançaria dois ensaios convertidos, passando para 23-10. Os do Restelo ainda se aproximaram para 23-20, mas um ensaio, em maul dinâmico, do n.º 8 Jorge Molina, selaria uma vitória suada mas justa.

Nas Olaias, o CDUL não teve problemas para triunfar sobre um Técnico demasiado frágil, vencendo por 64-6. Os campeões nacionais obtiveram 10 ensaios e ao intervalo já tinham garantido o ponto de bónus. Perante engenheiros claramente de "outro campeonato", incapazes de impor um ritmo forte e sem peso para equilibrar no combate corpo-a-corpo, os universitários cedo se impuseram numa partida onde deixaram vários titulares de fora e onde o tonguiano Seti Filo e o portuguesíssimo Tiago Girão marcaram dois ensaios cada, com a curiosidade do internacional n.º 8 dos Lobos ainda ter convertido, à John Eales, os derradeiros três ensaios devido à saída por lesão do chutador Pedro Cabral.

A encerrar a ronda a Académica foi a Leça da Palmeira bater o CDUP, por 27-17. Os homens de Coimbra fizeram valer a sua maior experiência e marcaram quatro ensaios contra dois dos portuenses, que devido a lesões e compromissos dos seus sub-19 só apresentaram 18 jogadores na folha de jogo e apenas um 1.ª linha suplente. Lesionado, obrigou a que o jogo, na 2.ª parte, tivesse apenas mêlées não disputadas - algo que contraria o espírito do rugby union.

A jornada arrancou 5.ª feira à noite, na Tapada, com Agronomia a bater facilmente o Cascais, por 31-3, com ponto de bónus pelos cinco ensaios alcançados. Classificação: CDUL, 19 pontos; Direito, 18; Agronomia, 12; Académica e CDUP, 9; Técnico e CRAV, 5; Belenenses e Cascais, 4; Benfica, 0.

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