Armstrong desiste e arrisca perder sete títulos do Tour

O ciclista norte-americano Lance Armstrong anunciou na quinta-feira que desistiu de lutar contra as acusações de dopagem que enfrenta há dez anos e pode perder os sete títulos que venceu na Volta a França.

"Chega uma altura na vida de qualquer homem em que temos de dizer 'já chega' e para mim esse momento é agora", disse o ciclista em comunicado divulgado pela imprensa norte-americana.

Armstrong, de 40 anos, justificou a decisão com os efeitos que esta luta teve sobre a sua família e trabalho. O ciclista argumentou que a desistência se prende com o facto de este não acreditar que fosse julgado de uma forma justa. "Se eu pensasse por um segundo que se participasse no processo da USADA [Agência Anti-Doping dos Estados Unidos] iria confrontar estas alegações num julgamento justo e - de uma vez por todas - visse as acusações serem retiradas, teria arriscado desde logo", disse o norte-americano, que ainda acrescentou que se recusa "a participar num processo tão enviesado e injusto".

A desistência surge depois de no passado dia 20 de agosto o Tribunal Federal de Austin, no Texas, ter recusado julgar o recurso de Lance Armstrong contra a USADA. O ciclista de 40 anos alegou que a agência norte-americana não tinha competência para abrir um processo contra si, no que dizia respeito às suas sete vitórias da Volta a França em bicicleta.

O próprio juíz do tribunal norte-americano admitiu que as diferenças entre a USADA e Armstrong reúnem "aspetos confusos", e que o conflito existente entre as duas partes "cria dúvidas nas acusações contra Armstrong".

A Agência Antidopagem dos EUA (USADA) anunciou entretanto que o ciclista perdeu, na sequência da sua decisão, os sete títulos que venceu na Volta a França e que foi banido de forma permanente da modalidade. Só o eventual recurso, se tivesse sido aceite pelo tribunal do Texas, é que salvaria Armstrong de perder os títulos vencidos entre 1999 e 2005, na mais importante prova do ciclismo mundial, uma vez que a sanção já fora anunciada pela USADA.

Travis Tygart, Diretor Geral do referido organismo anti-doping, disse na noite de quinta-feira que Armstrong pode ainda ser destituído de todos os seus resultados desde 1 de agosto de 1998. Porém, esta sanção em particular tem que ser ainda aprovada pela União Ciclista Internacional (UCI), com a qual é sabido que a USADA não tem as melhores relações.

Aliás, a UCI pediu recentemente que este assunto seja colocado nas mãos de uma autoridade independente, já que critica a USADA de "não ter qualquer respeito pelas regras e princípios de um processo legal", segundo uma reação da UCI ao anúncio da USADA.

A 29 de junho, a USADA decidiu acusar formalmente Armstrong de dopagem, bem como dois médicos espanhóis, Pedro Celaya Lezema e Luis García del Moral, o treinador Pepe Martí, o assistente médico italiano Michele Ferrari e o diretor desportivo belga Johan Bruyneel.

Armstrong continua a alegar que é inocente, mas a USADA disse que pelo menos 10 ex-colegas de Armstrong podiam testemunhar contra ele e que existiam testes sanguíneos "totalmente consistentes" com amostras de dopagem.

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