A senhora fórmula 1 que gosta de ver o mar

M.ª Teresa de Filippis, a primeira mulher a competir na principal disciplina do desporto automóvel, passou pelo Algarve.

Maria Teresa de Filippis, de 83 anos, italiana e a primeira mulher a entrar, em 1958, na Fórmula 1, corria "apenas por prazer". Assim o recorda ao DN, com quem falou na visita ao autódromo de Portimão. Filippis puxa de memória e relata o ambiente familiar existente naquela época, em que "saímos à noite, ouvíamos música e dançávamos" e deixa críticas ao que se verifica hoje na modalidade.

No autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, onde assistiu ao Grande Festival de Clássicos, já se prepara um encontro, em 2011, com antigos pilotos de Fórmula 1.

"Corria apenas por prazer. Naquela época, em cada dez pilotos nove eram meus amigos. Havia, digamos, um ambiente familiar. Saímos à noite, ouvíamos música e dançávamos. Era totalmente diferente do que os pilotos, hoje, fazem, em que se tornaram máquinas, robots e estão dependentes dos sponsors. Agora, não há amigos na Fórmula 1."

Discreta e serena, de estatura baixa e com seus cabelos brancos, a italiana Maria Teresa de Filippis, de 83 anos (nascida em Nápoles a 11 de Novembro de 1926), salientou ao DN o período quando, em 1958, cometeu a proeza de quebrar um tabu ao ser a primeira mulher a pilotar um carro de Fórmula 1, entrando dessa forma para a história de uma modalidade desportiva considerada bastante competitiva e sempre dominada por homens. E isto, numa altura em que, como muitos lembram, era raro ver uma mulher ao volante de um carro, quanto mais na Formula 1.

Maria Teresa de Filippis, que tem duas filhas e dois netos (ninguém está ligado ao automobilismo), continua a viver no seu país, Itália, e esteve desde quinta-feira até ontem no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, onde assistiu, na companhia do seu marido, Theo K. Huschek, de 64 anos e antigo engenheiro por conta própria, ao Grande Festival de Clássicos, o maior da Península Ibérica, com os míticos Ferraris, McLarens, Maseratis, Porsches, Lamborghinis, Bugatis, BMW e Mercedes que fizeram história na Fórmula 1, entre 1966 e 1985, a servirem de atracção de principal atracção, entre mais de trezentos carros e cerca de 400 pilotos.

Richard Attwood e Jackie Oliver, foram, entre outros, algumas das lendas da modalidade presentes. A antiga 'Senhora Fórmula Um', como era conhecida, deslocou-se ao Algarve a convite da organização daquele evento e pelo cargo que desempenha de vice-presidente do Club Internacional des Anciens Pilotes de Grand Prix F.1, cujo secretariado está sedeado em Bérgamo, Itália. No autódromo de Portimão, teve oportunidade de viajar pelo circuito numa viatura conduzida pelo responsável do empreendimento, Paulo Pinheiro, além de falar com pilotos e técnicos, nos bastidores, junto às máquinas.

"Não é a primeira vez que ela vem cá e adorou o que viu. Está a preparar, para 2011 aqui, um Grande Encontro de antigos pilotos de Fórmula Um", contou ao DN o empresário.

Apesar da idade, Maria Teresa de Filippis mantém viva a paixão pelos carros, embora não conduza, enquanto vai percorrendo o mundo com o marido. Não tem hobbies, mas confessou ao DN que gosta de "ver o mar".

Oriunda de uma família aristocrata e sem actividade profissional, Maria Teresa de Filippes, graças à independência financeira e "com uma educação muito, muito rígida", que a preparou "para ser independente", como fez questão de frisar, trocou, aos 22 anos, as corridas de cavalos pelos carros, acabando por ganhar dessa forma uma aposta feita com os seus irmãos, que lhe diziam que, ao volante, ela seria mais rápida do que eles.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG