Os triatletas portugueses que sonham repetir o feito de Vanessa em Pequim 2008

João Silva assume ao DN a ambição de lutar por uma medalha olímpica e vai estar acompanhado por João Pereira e Melanie Santos na prova que vai decorrer no Odaiba Marine Park.

Em 2008, Portugal emocionou-se com a brilhante prova de Vanessa Fernandes nos Jogos Olímpicos de Pequim. A triatleta atravessava uma das melhores fases da carreira e, sem surpresa, conseguiu entrar no lote restrito de portugueses que em toda a história dos Jogos conseguiram trazer 24 medalhas para o nosso país. No seu caso, a de prata.

Na altura, Vanessa Fernandes era indiscutivelmente uma das favoritas à vitória, algo que não sucede em Tóquio2020 com nenhum dos três representantes lusos. Ainda assim, João Pereira e João Silva partem com legítimas aspirações a conseguirem um bom resultado e, quem sabe, intrometerem-se na luta pelas medalhas. Os dois entram em ação este domingo, a partir das 22.30, na prova individual masculina. No setor feminino, Melanie Santos, de 26 anos, estreia-se segunda-feira nestas andanças, igualmente a partir das 22.30.

João Silva participa pela terceira vez nos Jogos Olímpicos, depois do nono lugar em Londres 2012 e do 35.º no Rio de Janeiro 2016. Já em Tóquio, conversou com o DN sobre as suas expectativas para esta prova. "Nervoso? Não, não estou muito nervoso, mas obviamente que espero ansiosamente pelo momento de entrar em ação. Como todos sabemos, participar nos Jogos Olímpicos é um dos grandes objetivos para qualquer desportista de alta competição", refere.

O triatleta de 32 anos confessa que tem como grande objetivo ganhar uma medalha. "Somos 55 atletas e todos são candidatos a esse feito. Mas obviamente que numa prova de triatlo existem muitas condicionantes que não são controláveis. Posso dar o meu exemplo do Rio de Janeiro 2016, em que me vi envolvido num acidente de bicicleta que me impossibilitou de lutar por uma melhor classificação", recorda.

"Um espírito porreiro"

João Silva sente-se num bom momento de forma. "Estou bem e estou com um espírito porreiro. Aliás, o mesmo acontece com o João [Pereira] e com a Melanie. Espero que este bom espírito nos ajude. Da minha parte, independentemente do resultado, o importante é no final da prova, saber que não podia ter feito mais", diz.

O atleta natural da Benedita aponta o grande calor, em redor dos 35 graus, e a humidade de cerca de 85 por cento como "fatores que certamente terão um grande peso, acabando por ser beneficiados aqueles que melhor se adaptarem a estas condicionantes". E realça ainda "a temperatura da água, mais elevada do que é habitual".

Estes são indubitavelmente os jogos da pandemia de covid-19, marcados por enormes restrições de circulação dos atletas. "É tudo muito diferente das outras duas edições em que estive presente. Os atletas estão em bolha, sem sair da Aldeia Olímpica, e claro que isso é chato. Mas a verdade é que já estava mentalizado de que iria ser assim e durante toda a época foi dessa forma que funcionaram as competições de triatlo. Por isso, posso dizer já estou habituado. A função de nós, desportistas, é enviar uma mensagem de grande resiliência e espírito de superação para todo o mundo", defende.

João Pereira e Melanie também buscam bom resultado

No Rio de Janeiro 2016, na sua única presença nos Jogos Olímpicos, João Pereira ficou bem perto de um resultado histórico, ao classificar-se na quinta posição. "Sei que, se conseguir dar o meu melhor, os resultados vão surgir. Trabalhei muito e tenho tido muito bons indicadores, por isso é esperar que corra tudo bem. Os meus adversários também estão bastante fortes, eu sei disso, mas vou acreditar até ao final e acredito que posso fazer melhor do que há quatro anos", referiu citado pela Lusa a 15 de julho, no Aeroporto Humberto Delgado, à partida para Tóquio.

Já Melanie Santos, de 26 anos, estreia-se nestas andanças e à partida para Tóquio, confessou altas expetativas, reconhecendo que a natação e a corrida são os seus segmentos mais fortes, esperando "tirar proveito disso". A sua prova é amanhã, igualmente a partir das 22.30.

A prova de triatlo será disputada no Odaiba Marine Park, um dos principais pontos turísticos de Tóquio. Fica localizado numa ilha artificial e destacava-se por edifícios majestosos como o prédio futurista da Fuji Tv e a ponte Rainbow Bridge. Serão 1,5 quilómetros de natação, 40 quilómetros de bicicleta e dez quilómetros de corrida, debaixo de forte calor e humidade.

Os grandes favoritos às medalhas

Os grandes favoritos ao ouro no setor masculino são o norueguês Kristian Blummenfelt, de 27 anos (obteve duas vitórias esta temporada no circuito mundial), o francês bicampeão mundial Vincent Luis e o britânico Alex Yee, um "novato" de 23 anos que não para de obter resultados de exceção e que será porventura o triatleta em melhor forma no circuito. Mas é preciso ainda ter muita atenção ao espanhol Mario Mola, apesar dos seus resultados modestos nos dois últimos anos. Trata-se de um dos corredores mais rápidos do mundo e que certamente não terá grandes problemas com o calor e a humidade de Tóquio.

Em femininos, muitas apostas apontam para Flora Duffy, das Bermudas, bicampeã mundial (2016 e 2017) e vencedora da Commonwealth de 2018. É certo que esteve muito tempo ausente nos dois últimos anos, devido a lesões, mas o quarto lugar no WTCS de Leeds em junho mostrou que está de regresso à grande forma. A britânica Georgia Taylor-Brown é um nome que nunca poderá ser esquecido. Afinal de contas, estamos a falar da campeã mundial em título. No entanto, o facto de este ano não ter estado presente numa única corrida do circuito mundial faz com que seja uma incógnita a forma como se vai apresentar.

Jess Learmonth, veterana de 33 anos e que representa igualmente a Grã-Bretanha, é outra das favoritas. Segunda classificada no recente WTCS de Leeds, mostrou que os constantes problemas físicos que a têm atormentado em 2021 podem estar ultrapassados.

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