Os jogadores que arriscam ser campeões sem jogar sequer meia hora

Benfica e FC Porto têm dois jogadores cada com menos de 30 minutos de ação no campeonato, à espera de receber as faixas

Desde o início do novo milénio foram 34 os jogadores que se sagraram campeões sem terem jogado sequer 30 minutos pelos respetivos clubes. Este ano a história promete repetir-se, com Benfica e FC Porto a terem dois jogadores cada com menos de meia hora em campo nesta Liga 2016/17: Jovic e José Gomes, do lado dos encarnados; Sérgio Oliveira e Kelvin, por parte dos azuis e brancos.

A três jornadas do final, ainda sem nada decidido no que ao campeão diz respeito, e os dois rivais separados por apenas três pontos, é reduzida a probabilidade de os respetivos treinadores darem minutos aos jogadores menos utilizados.

O atual líder Benfica defronta o Rio Ave no próximo domingo, ao passo que o FC Porto joga já amanhã na Madeira com o Marítimo. Independentemente de qualquer resultado, a verdade é que este fim de semana ainda nada poderá ficar resolvido.

E só caso na penúltima ronda tudo fique definido, então a derradeira jornada ficará guardada certamente para "presentear" faixas de campeão. No que diz respeito ao Benfica, e atendendo às convocatórias ao longo da temporada, Rui Vitória poderá finalmente dar os primeiros minutos ao terceiro guarda-redes Paulo Lopes ou aos reforços de janeiro Pedro Pereira e Hermes, ao passo que do lado dos dragões tudo indica que seja apenas o guardião José Sá, habitual suplente de Iker Casillas, a poder estrear-se esta temporada nas jornadas finais.

Mas também há quem possa então ser campeão com menos de meia hora jogada no campeonato. Pelo Benfica os avançados José Gomes (21 minutos) e Jovic (9") são os que tiveram menos tempo de jogo até ao momento, sem contar com os que ainda não se estrearam, ao passo que nos dragões Kelvin (o herói de 2012 que teve um regresso fugaz em janeiro) e Sérgio Oliveira contabilizaram apenas 21 minutos na Liga - e não farão mais nenhum por estarem emprestados ao Vasco da Gama (Brasil) e Nantes (França), respetivamente.

Campeões "mesmo sem jogar"

Kieszek, guarda-redes polaco atualmente ao serviço do Córdoba, do principal campeonato espanhol, já se sagrou campeão com apenas 10 minutos de jogo, na temporada 2010/2011, no FC Porto. Em conversa com o DN, o guardião de 33 anos explica que se sentiu tão campeão como os outros.

"Somos sempre campeões, mesmo que não tivéssemos jogado qualquer minuto. Trabalhámos a temporada inteira, tal como os outros que jogaram mais. Acaba por ser uma decisão técnica do treinador, mas eu senti-me campeão como os outros. Aliás, se os treinadores nos dão depois essa oportunidade, é porque também sentem o mesmo", disse o polaco ao DN.

"Se um joga e outro não, é porque alguém esteve melhor ao longo da temporada, mas isso não quer dizer que quem não joga não mereça ser campeão. Aliás, merecem todos o mesmo. Aqui em Espanha o Ronaldo marca muitos golos, tal como o Messi, mas isso não quer dizer que, por exemplo, o Morata, se não tivesse jogado, não merecesse ser campeão. Os suplentes e os que não jogam fazem evoluir os titulares, pelo que as medalhas são mais do que justas", salientou o polaco, que jogou durante oito temporadas em Portugal.

Pedro Henriques, antigo lateral e atual comentador da SportTV, passou pela mesma situação no Benfica de 1993/94, jogando apenas seis minutos, contra o Gil Vicente, no jogo que garantiu o título. "Para mim, que tinha subido dos juniores e estava no primeiro ano sénior, só o facto de estar no plantel já era uma festa. Era um miúdo a viver um sonho. Por isso, aqueles seis minutos foram um êxtase. Lembro-me que o Benfica fez 1-0, e eu pensei para mim que já podia entrar que já aguentava aquilo; depois o 2-0, mas o Toni só me meteu após o 3-0, se calhar não confiava assim muito em mim [risos]".

Quatro anos depois, no FC Porto, já não teve direito a qualquer minuto. "Aí já não era o miúdo, era um dos graúdos. E aí, se tivesse tido algum minutinho, já não teria tido tanto significado. Mas é sempre melhor jogar um minutinho do que não jogar nenhum. Assim como é sempre melhor fazer parte de um plantel que tenha essa experiência de ser campeão, mesmo sem jogar, do que não fazer", refere.

Em Inglaterra é diferente

Se em Portugal basta um minuto para um jogador ser considerado campeão, em Inglaterra é diferente. A Federação inglesa impõe que um futebolista só tenha direito a medalhas se tiver participado em pelo menos cinco jogos da sua equipa. Os clubes ingleses, ainda assim, aquando da distribuição das medalhas pedem à FA para fazer o número certo dos jogadores do plantel, mas as que não entrarem nas contas da Federação, ou seja, as que forem pedidas para os tais jogadores que não fizeram pelo menos cinco partidas, terão de ser pagas pelo clube campeão.

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