Onze titular jogou melhor, mas foi o onze de segunda a ganhar o jogo

O Benfica venceu hoje o Girona (4-2), na Suíça. Florentino, Enzo e o lateral Bah em bom plano a 11 dias do arranque da época. Golos sofridos de bola parada fazem soar alerta.

Quatro jogos, quatro vitórias do Benfica na pré-época. O triunfo de hoje, frente ao Girona (4-2), em Yverdon, na Suíça, voltou a mostrar quais as peças que como Roger Schmidt considera que servem melhor as suas intenções, a 11 dias do arranque oficial da época (2 de agosto, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões). A equipa voltou a sofrer golos de bola parada (num total de três na pré-época), mas houve direito a banho de multidão à antiga, com os adeptos emigrantes a protagonizarem momentos de proximidade com equipa numa pacífica invasão de campo.

Há bons indicadores neste Benfica de fabrico alemão, que joga em 4x2x3x1, que pode ser facilmente transformado em 4x4x2, dependendo de ter João Mário como dez ou inclinado para a esquerda e Rafa a jogar por dentro e como falso 10 ou segundo avançado. Em relação ao último onze, Roger Schmidt faz apenas uma alteração - Helton Leite entrou para o lugar de Vlachodimos na baliza - o que revela uma aposta clara do técnico em Morato ao lado de Otamendi (capitão) no centro da defesa, Grimaldo e Gilberto nas laterais e bem alargados e João Mário escudado pela dupla Florentino-Enzo Fernández no meio campo. Gonçalo Ramos, Rafa e Neres no ataque.

Excecional a intercetar o jogo dos adversários nesta pré-época, o jovem Florentino parece ganhar uma nova vida no Benfica depois de dois empréstimos sem brilho (Monaco e Getafe). Não é segredo que o treinador ainda espera por mais um médio, mas o jovem formado no Seixal, essencial na conquista do título em 2018-19, com Bruno Lage, está a fazer o que lhe compete para ganhar a vaga. Ontem voltou a jogar ao lado de Enzo, o transportador de bola exímio que acabou de chegar e custou 10 milhões de euros.

Na primeira parte a equipa encarnada manteve a identidade mostrada nos três jogos até aqui: pressão alta sem bola e jogo vertical com bola. Aos 15 minutos o trio ofensivo - Gonçalo Ramos, Rafa e Neres - já tinham ameaçado a baliza do recém promovido à liga espanhola, que demorou a entrar no jogo e só aos 18 minutos começou a incomodar Helton Leite.

O calor (35 graus às 17.30, em Yverdon) obrigou a uma pausa antes da meia hora de jogos para os jogadores se hidratarem e o treinador do Benfica centrou as atenções no ponta de lança Gonçalo Ramos, pedindo-lhe mais diagonais para criar espaço por fora para Neres e Rafa entrarem a rasgar na área e criar os famosos desequilíbrios que valem golos. Uma movimentação diferente daquela que estava habituado na época passada, quando foi utilizado como médio esquerdo e sem essa missão de atrair/distrair os centrais adversários.

A paragem fez mal ao jogo em si. Salvou-se o lance que podia ter colocado o Benfica em vantagem antes do intervalo. Lançado por Enzo, Gonçalo Ramos fugiu à defesa do Girona e isolado, tentou puxar a bola para o pé esquerdo e perdeu o timing do remate.

Um onze novo... e as más e velhas bolas paradas defensivas

Ao intervalo Schmidt mudou tudo. Literalmente. Tirou onze e meteu outros onze. Estava assim explicada a estratégia que o levou a convocar 28 jogadores (incluindo meia dúzia a quem já comunicou que não farão parte do plantel) para este particular na Suíça.

Com Vlachodimos na baliza, Bah, Vertonghen (capitão), António Silva e Gil Dias na defesa, Weigl, Meité e Chiquinho no meio campo e Diego Moreira, Yaremchuk e Henrique Araújo na frente. O Girona aproveitou um mau alivio de Meite para se adiantar no marcador, com um golo de Christian Stuani.

Foi também de bola parada que os encarnados chegaram ao empate. António Silva (jovem central que mostrou algum do talento que lhe apregoam, nomeadamente a pressão sobre o adversário) ganhou nas alturas e serviu Vertonghen, que em rotação fuzilou o guarda-redes da equipa catalã. Dois minutos depois Bah fez o 2-1 para o Benfica, que assim dava a volta ao marcador com dois golos de dois defesas em três minutos. A equipa de Schmidt passou então a controlar e voltou aos níveis de pressão da primeira parte e chegou aos 3-1 numa grande penalidade sofrida por Chiquinho e marcada por Yaremchuk.

O Girona tentava ter critério a partir da retaguarda, mas raramente chegou à baliza encarnada. E foi sem que nada o fizesse prever, que Santiago Bueno reduziu para 3-2, num golo tirado a papel químico do primeiro. Foi o terceiro golo sofrido deste Benfica nos quatro jogos da pré-época... de bola parada. Um alerta que o alemão deve ter em conta. Os golos marcados subiram para 14 quando Rodrigo Pinho, um dos cinco suplentes que entraram na parte final do jogo, fez o 4-2 que consumou a quarta vitória benfiquista em outros tantos jogos na pré-época a 11 dias do arranque a sério da época 2022-23, com a 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões (2 de agosto).

Até lá o emagrecimento do plantel terá de continuar. Schmidt levou 28 jogadores à Suíça e deixou oito em Lisboa, num total de 36, sendo que o técnico quer um plantel de 26.

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