O Tour é uma questão eslovena e será preciso pedalada para os vencer

Arranca hoje em Brest mais uma edição da Volta a França. Tadej Pogacar e Primo Rogliè são os grandes favoritos; Rúben Guerreiro e Rui Costa os representantes portugueses.

A 108.ª edição da Volta a França em bicicleta arranca hoje em Brest e termina a 18 de julho em Paris, nos Campos Elísios. Serão 21 etapas, com 184 ciclistas em prova, entre eles dois portugueses - Rúben Guerreiro (EF Education-Nippo) e Rui Costa (UAE-Team Emirates). Os favoritos são dois eslovenos: Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), vencedor do ano passado, e Primož Rogliè (Jumbo-Visma).

Pogacar e Roglic tornaram o Tour uma questão eslovena. A pandemia deu tréguas ao pelotão, as bicicletas continuaram a rolar e os dois compatriotas não pararam de ganhar: Roglic afogou as mágoas da derrota no Tour, repetindo o triunfo na Vuelta (2020 e 2019), ganhando a Liège-Bastogne-Liège (2020) e a Volta ao País Basco (2021), além de três etapas no Paris-Nice (2021), antes de submergir numa preparação intensiva para este Tour. Pogacar também impressionou, vencendo a Volta aos Emirados Árabes, o Tirreno-Adriático, a Liège-Bastogne-Liège e a Volta à Eslovénia esta temporada.

O poderio dos eslovenos é tal que a INEOS foi obrigada a recrutar quatro das suas cinco maiores figuras atuais - só falta Egan Bernal, o vencedor de 2019, e recém-consagrado campeão do Giro - para tentar contrariar a superioridade do popular líder da UAE Emirates, que contará com a ajuda do português Rui Costa, e do mal-amado chefe de fila da Jumbo-Visma, novamente escoltado por um elenco de luxo, nomeadamente o talentoso belga Wout Van Aert, o holandês Steven Kruijswijk (terceiro em 2019) e o norte-americano Sepp Kuss.

Geraint Thomas, o galês de 35 anos que conquistou o coração dos fãs do Tour há três anos quando venceu a prova, será o cabeça de cartaz da INEOS, repartindo a liderança com Richard Carapaz, o equatoriano que venceu a Volta a Itália em 2019, cabendo ao seu sucessor, o britânico Tao Geoghegan Hart, e ao eterno australiano Richie Porte, terceiro classificado do Tour2020, o papel de reservas.

Será difícil alguém intrometer-se nesta luta Eslovénia vs. INEOS, mas o vento, as quedas, as condições atmosféricas ou as descidas - sem esquecer os quase 60 quilómetros de contrarrelógio e as montanhas que poucas diferenças têm feito nos anos anteriores - poderão fazer surgir um outsider, sendo praticamente certo que esse papel não caberá a Chris Froome (Israel Start-Up Nation), de regresso à prova, mas ainda à procura de encontrar a forma perdida há dois anos na grave queda no Critério do Dauphiné.

Nairo Quintana (Arkéa-Samsic), duas vezes vice-campeão do Tour, compete pela oitava vez na prova e espera fazer um bom resultado, assim como o colega colombiano e também vice-campeão Rigoberto Uràn, que vai liderar a EF Education-Nippo. Já o britânico Mark Cavendish (Deceuninck-Quickstep), segundo ciclista com mais vitórias na história do Tour, pode fazer história e alcançar o recorde de 34 triunfos do belga Eddy Merckx.

Van der Poel (Alpecin-Fenix), Van Aert (Jumbo-Visma), Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Caleb Ewan (Lotto-Soudal), Gaudu (Groupama-FDJ), Enric Mas (Movistar), Ángel López (Movistar), Alaphilippe (Deceuninck-Quick-Step), Arnaud Démare (Groupama-FDJ), Michael Matthews (BikeExchange) ou Greipel (Israel Start -Up Nation) são outros dos nomes fortes.

"Os principais favoritos são Pogacar e Rogliè, mas a equipa da INEOS tem um bloco muito forte, com vários ciclistas que são opção à geral. Estou muito curioso para ver o rendimento de Rogliè, que chega ao Tour com mais de dois meses sem competição", analisa o antigo ciclista português José Azevedo, que vai comentar a prova na Eurosport, para quem "as etapas chave deste Tour são as duas de contrarrelógio, e três de montanha em particular."

Ambição portuguesa

O português Rúben Guerreiro (EF Education-Nippo) vai estrear-se na Volta a França, depois do azar na última edição do Giro que o forçou a abandonar a prova "A minha equipa, assim que caí na Volta a Itália, disse-me logo que se recuperasse bem fazia o Tour. Eu é que guardei segredo", confessou à Lusa.

Os objetivos de Guerreiro passam "primeiro pelos da equipa" e, depois, "com o desenrolar da corrida, se tiver oportunidade de tentar algo", não deixará de fazê-lo: "Mas o principal é que o Úran está muito bem, e acho que vai disputar a geral. Primeiro objetivo vai ser apoiá-lo."

Já Rui Costa, 34 anos, está de regresso à Volta a França com o "orgulho" e a "responsabilidade" de integrar a equipa da Emirates que defenderá o título de Pogacar, uma missão coletiva que condiciona objetivos pessoais. "Regressar à Volta a França é uma sensação muito agradável. Eu adoro o Tour. Já tive momentos muito bons aqui, menos bons devido a quedas, problemas de saúde, mas penso sempre no lado positivo. Ganhei já três etapas. E o Tour é o Tour. Acaba por ser a corrida mais importante que temos ao longo do ano. Por isso também aqui estou, para tentar ajudá-lo [Pogacar] da melhor maneira".

nuno.fernandes@dn.pt

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