O topo do mundo nunca esteve tão perto para Andy Murray

Escocês está a 415 pontos de cumprir por fim o sonho de chegar a número um do mundo, o que pode acontecer já nesta semana em Paris. Parceria com Lendl volta a catapultar o britânico

"Parece um pequeno salto, passar de segundo para primeiro, mas é na verdade o mais difícil de todos." Andy Murray sabe do que fala. O tenista escocês chegou pela primeira vez a número dois do mundo a 17 de agosto de 2009 e, desde então, ainda não conseguiu juntar o seu nome aos dos tenistas que alcançaram o número um do ranking ATP. Ao longo destes últimos sete anos, Murray apareceu como o segundo nome da lista em 75 semanas, sem nunca conseguir dar o salto final até ao topo. Agora, parece mais perto do que nunca e pode mesmo chegar ao n.º 1 já nesta semana, em Paris.

A pouco mais de 400 pontos do sérvio Novak Djokovic, que lidera a tabela do ATP pela 122.ª semana consecutiva, Andy Murray terá de vencer o Masters 1000 de Paris - entra amanhã em ação, frente ao espanhol Fernando Verdasco - e esperar que o líder mundial não chegue à final, para que na próxima segunda-feira seja por fim o seu nome a figurar no topo da lista mundial. Ou, se não vencer, chegar à final e esperar que Djokovic não vá às meias.

Se não o conseguir em Paris, terá ainda a oportunidade de tentar acabar 2016 como melhor do mundo no ATP World Tour Finals, o torneio final de temporada que reúne os oito melhores tenistas do ano, em Londres, a partir do próximo dia 13. E a possibilidade constitui um feito extraordinário por si só, se recuarmos meio ano no calendário.

No início de junho, depois de conquistar a final de Roland-Garros (precisamente contra Murray) e completar por fim o tão almejado Grand Slam de carreira, Novak Djokovic abria uma vantagem de 8000 pontos para o britânico e parecia solidificar-se como o dominador absoluto do ténis, numa era de decadência do Big Four que dominou a modalidade durante uma década: Roger Federer, Rafa Nadal, Andy Murray e o próprio Djokovic.

A segunda metade da época, no entanto, trouxe um cenário radicalmente diferente. Primeiro, porque o sérvio entrou em descompressão depois de completar o grande objetivo e teve eliminações precoces em Wimbledon e nos Jogos Olímpicos e perdeu a final do US Open.

Depois, em contraponto com o relaxamento de Djokovic, Andy Murray saiu de Paris, no final de maio, para arrancar um trajeto fenomenal que lhe valeu a segunda vitória da carreira em Wimbledon, a defesa do ouro olímpico e um total de sete títulos até agora em 2016, já o melhor ano da carreira. O segredo? A retoma da parceria com o antigo n.º 1 mundial Ivan Lendl, que voltou a treinar o escocês, ainda que em part-time, após Roland-Garros, reeditando uma ligação que já tinha valido a Murray os seus primeiros títulos do Grand Slam e o primeiro ouro olímpico, entre 2012 e 2013.

Quando retomou o treino com Lendl, em junho, Murray admitia o objetivo final: "Chegar a número um do mundo é definitivamente um objetivo e algo sobre o qual eu e o Ivan conversámos." Agora, chega a Paris com uma série de 15 partidas consecutivas a ganhar - durante as quais ganhou três títulos (Pequim, Xangai e Viena) e perdeu apenas dois de 30 sets - e com uma margem de "tão-só" 415 pontos para anular face a Djokovic, no assalto final ao primeiro lugar do ranking.

"Têm sido uns bons meses", reconhece Murray, colocando água na fervura do momento. "Nunca ganhei o Masters 1000 de Paris, portanto, estar a contar ganhar neste ano seria um bocado tonto da minha parte", ressalva, lembrando que Djokovic ganhou o torneio nos últimos três anos. Além do mais, garante o escocês, "acabar o ano como número um nunca foi a meta".

Já o sérvio garante que vai "lutar por cada ponto" para defender o seu reinado. Mas elogia o esforço de Murray. "Está a jogar o melhor ténis que já o vi jogar. Merece estar em posição de lutar pelo número um." "Só que isso não depende só dele", avisa.

Certo é que o passo a dar por Murray para alcançar o número um nunca foi tão pequeno como agora. Se o conseguir dar, será, aos 29 anos, o segundo mais velho de sempre a chegar pela primeira vez à liderança - John Newcombe conseguiu-o com 30 anos, em 1974.

João Sousa contra Berdych

O português João Sousa (caiu para 43.º no ranking) começou bem a participação no Masters 1000 de Paris, vencendo o italiano Andreas Seppi por duplo 6-4, e volta já hoje (11.30) aos courts para defrontar o checo Thomas Berdych (11.º ATP).

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