O senhor Liga Europa e o bom presságio do dia 26

Villarreal e Man. United defrontam-se hoje na final da Liga Europa. De um lado o técnico espanhol com três troféus na prova, do outro um norueguês à procura do primeiro título pelo clube. Bruno Fernandes é o representante português.

A final da Liga Europa decide-se esta noite em Gdansk (20.00, SIC), na Polónia, entre o Manchester United do português Bruno Fernandes e o estreante Villarreal. Se no plano teórico o favoritismo pende para o lado dos ingleses, os espanhóis têm um grande trunfo - o treinador Unay Emery, a quem chamam o senhor Liga Europa, que chegou a cinco finais e venceu três pelo Sevilha, e tem hoje a possibilidade de descolar de Giovanni Trapattoni como o técnico mais titulado desta prova.

Do lado do Manchester United esta é uma oportunidade para o clube voltar a conquistar um troféu europeu, algo que não acontece desde 2017, precisamente o ano em que a equipa bateu na final da Liga Europa o Ajax, por 2-0, quando era orientada por José Mourinho. Ao mesmo tempo, o treinador Ole Gunnar Solskjaer procura o seu primeiro troféu pelo clube, ele que está no cargo desde dezembro de 2018, ano em que assumiu o cargo após a saída do português.

Se Unay Emery (de origem basca) entra nesta final com o rótulo de senhor Liga Europa, Solskjaer, treinador norueguês de 48 anos, joga com fé no número... 26. Quis o destino que a final deste ano se jogasse no dia 26. O mesmo dia (mas de fevereiro) em que o técnico nasceu, o mesmo dia (mas em maio) em que conquistou como jogador a Liga dos Campeões de 1999, na célebre final fantástica em que o United marcou dois golos no tempo de compensação e bateu o B. Munique por 2-1, com o último golo a ser apontado precisamente pelo norueguês. E foi também num dia 26 (este de maio) que nasceu Matt Busby, treinador histórico do clube de Old Trafford.

Mas há mais coincidências. "O aniversário da minha mulher é também no dia 26 e nós casámo-nos no dia 26, por isso tenho mesmo de acreditar no destino, ou skjebne [em norueguês]. É um número especial para nós e também para minha família. Tenho de interpretar isso como um bom presságio. Não sou muito supersticioso, mas parece ser um bom sinal", disse recentemente Solskjaer numa entrevista ao site oficial da UEFA.

O nome de Emery estará sempre ligado à Liga Europa. Esta será a quinta final da prova que vai disputar, ele que venceu já três edições pelo Sevilha, todas de forma consecutiva. Em 2013-14 bateu na final o Benfica no desempate por grandes penalidades; em 2014-15 o Dnipro por 3-2 e na época a seguinte o Liverpool por 3-1. Como treinador do Arsenal chegou ao jogo decisivo em 2018-19, mas foi derrotado pelo Chelsea (4-1). Além disso, nesta prova nunca foi eliminado antes dos quartos-de-final e sempre que caiu foi diante da equipa que acabaria por vencer a competição.

"Não creio que tenha uma estrela. A minha estrela é o trabalho. O difícil de ganhar é voltar a ganhar, porque para o conseguir é preciso repetir o que fizeste quando ganhaste da primeira vez", disse há dias Emery numa entrevista ao jornal Marca.

Os currículos e a fé de Bruno

O fosso entre os dois clubes é enorme e a diversos níveis, não se resumindo ao poder financeiro, com clara vantagem para o clube de Bruno Fernandes - três Ligas dos Campeões (1968, 1999 e 2008), uma Liga Europa (2017), uma Taça das Taças (1991) e uma Supertaça Europeia (1991) são o pecúlio internacional do United, 20 vezes campeão inglês, entre muitos outros troféus em solo britânico.

O Villarreal, conhecido como "submarino amarelo", nunca foi campeão espanhol, destacando-se o segundo lugar em 2008, enquanto nas provas europeias quebrou, finalmente, o trauma das meias-finais, nas quais caiu em 2004 ante o Valência e em 2011 perante o FC Porto, que ganharia a competição, por 1-0 frente ao Sporting de Braga.

No momento mais alto da sua história, chegou também às meias-finais da Liga dos Campeões de 2006, sendo afastado pelo Arsenal, de quem se vingou agora na mesma fase da segunda competição da UEFA.

Bruno Fernandes, que está no Manchester United desde 2019, pode esta noite conquistar o seu primeiro troféu pelo emblema inglês, e o quinto da carreira, a juntar a uma Liga das Nações pela seleção, duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal pelo Sporting. O médio chega a esta final com a cotação bem alta, pois além das exibições e assistências, apontou 28 golos (cinco nesta prova) em 57 jogos disputados.

"Como jogadores queremos ganhar, sabemos que representamos um grande clube e que os troféus fazem parte da sua história. A pressão existe, mas até é boa para mim. Estar na final é bom, mas para ser perfeito temos de ganhar", referiu ontem o internacional português, saudando o facto de haver público nas bancadas: "É importante ter a presença dos adeptos. Como temos visto ao longo do último ano, o futebol sem adeptos é um desporto tão diferente. Tê-los de volta em mais um jogo, e ser numa final, é muito bom para nós, espero que eles também gostem."

nuno.fernandes@dn.pt

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