O percurso imaculado do leão começou com uma desilusão, mas terminou em festa

O apito final do jogo com o Boavista lançou os festejos em Alvalade. O Sporting recupera o trono 19 anos depois, uma conquista sem derrotas.

Imaculado. É assim que se pode caracterizar o regresso do Sporting aos títulos de campeão nacional, 19 anos depois de ter festejado pela última vez. É que são 32 jogos sem que a equipa treinada por Rúben Amorim tenha sofrido qualquer derrota, algo que nunca ninguém tinha conseguido no Sporting numa só temporada no campeonato. No total foram 25 vitórias e sete empates que tornam brilhante o percurso do leão.

E a verdade é que as coisas começaram de forma um pouco atribulada, com um surto de covid-19 que atingiu o plantel do Sporting e que obrigou ao adiamento da primeira jornada com o Gil Vicente. Assim, a caminhada iniciou-se em Paços de Ferreira com um triunfo por 2-0, com Jovane Cabral, de penálti, a abrir as contas leoninas na I Liga. Só que quatro dias depois surgiu a primeira grande desilusão da época, com a derrota de 1-4, em Alvalade, frente aos austríacos do LASK Linz, que impediu a entrada do Sporting na fase de grupos da Liga Europa. Era um golpe duro, mas a equipa reagiu com nova vitória para o campeonato, em Portimão, por 2-0, seguindo-se o empate caseiro (2-2) com o FC Porto.

Mas a partir daí os leões iniciaram um percurso consistente e seguro que culminou com a subida ao primeiro lugar com uma vitória em casa frente ao Tondela. Na ronda seguinte, a sétima, a equipa de Rúben Amorim deu uma demonstração de força com uma goleada em Guimarães (4-0). A sequência de cinco triunfos consecutivo foi interrompida em Famalicão (2-2), mas até ao final da primeira volta o leão apenas escorregou em casa (1-1) com o Rio Ave, tendo levado a melhor no dérbi, em Alvalade, com o Benfica, com um golo de Matheus Nunes nos instantes finais. O Sporting terminava a primeira volta na liderança com seis pontos de avanço sobre o FC Porto, nove sobre o Sp. Braga e 11 para o Benfica. Pelo meio a desilusão da eliminação da Taça de Portugal diante do Marítimo, compensada com a conquista da Taça da Liga na final com o Sp. Braga.

A segunda volta seria o verdadeiro teste às reais capacidades do Sporting em conseguir esta caminhada triunfante. Nas primeiras sete rondas tudo correu na perfeição, incluindo um empate 0-0 no Estádio do Dragão, que deixava o FC Porto a 10 pontos de distância. Tudo parecia sobre rodas, mas o mês de abril levantou um grande ponto de interrogação. Três empates, em Moreira de Cónegos e em casa com Famalicão e Belenenses SAD e um triunfo sofrido no Algarve com o Farense faziam abalar a confiança em Alvalade. Seria o Sporting capaz?

A resposta foi dada de forma épica e inequívoca na visita a Braga. A expulsão de Gonçalo Inácio aos 18 minutos, colocava a equipa de Rúben Amorim em apuros, mas uma exibição solidária e realista permitiu ao Sporting desferir um golpe certeiro no jogo e no campeonato quando Matheus Nunes, o homem dos grandes momentos, marcou o golo da vitória já perto do fim do jogo com os bracarenses. Foi um golpe nos rivais e, ao mesmo tempo, uma injeção de confiança nos jogadores do Sporting que, de seguida, venceram Nacional, Rio Ave e Boavista, assegurando assim a conquista do título de campeão nacional que há tanto tempo fugia.

carlos.nogueira@dn.pt

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