"O novo Pistorius". Markus Rehm salta contra a exclusão olímpica

Alemão, amputado da perna direita, fez a 5.ª melhor marca mundial do ano no salto em comprimento, mesmo entre atletas sem prótese (8,40 metros), e reabriu um caso polémico

Uma perna amputada abaixo do joelho não impediu Markus Rehm de se tornar um atleta de eleição no salto em comprimento, capaz de sobressair até entre os que não têm qualquer handicap. Contudo, esta não é uma história de inclusão: o alemão luta pela possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos, que até aqui lhe tem sido negada (sob a justificação de que a prótese que usa o deixa em vantagem). E os 8,40 metros com que conquistou o ouro nos Mundiais de atletismo do Comité Paralímpico Internacional -a 5.ª melhor marca absoluta do ano - vieram reacender a polémica.

O resultado do alemão na final da categoria T44, em Doha (Qatar, onde estão a decorrer estes Mundiais, de dia 21 até sábado), surpreendeu o meio do atletismo. Um salto assim, de 8,40m, é uma das principais marcas de 2015 (a melhor é 8,50m, de Jeff Henderson, dos EUA). Teria servido para conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos de 2012. E ficaria a apenas um centímetro do que valeu o título mundial absoluto a Greg Rutherford, em agosto, em Pequim (8,41). Mas Markus Rehm, de 27 anos, ainda não teve oportunidade de competir com os melhores especialistas globais na sua disciplina - como o paralímpico Oscar Pistorius conseguiu (antes de cair em desgraça, por ter assassinado a namorada). É esse o salto que lhe falta dar.

Em 2014, na única ocasião em que competiu com atletas sem deficiência, Markus Rehm sagrou-se campeão da Alemanha e alçançou os mínimos para os Europeus de Zurique (saltou 8,24 m). No entanto, a federação alemã de atletismo decidiu excluí-lo da prova continental, por ter "sérias dúvidas" de que a prótese de fibra de carbono que utiliza abaixo do joelho da perna direita não o colocasse em vantagem em relação aos rivais.

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