O ex-polícia que está a atravessar o Atlântico a nado

Saga começou domingo. Ben Hooper nada 10 a 12 horas por dia e espera chegar ao Brasil (e entrar para o Guinness) em março

Ben Hooper, 38 anos, ex-oficial de polícia inglês, iniciou no domingo a maior aventura da sua vida que lhe pode valer um recorde no Guinness: atravessar o oceano Atlântico a nado, com partida em Dakar (Senegal) e chegada a Natal (Brasil), num total de 1635 milhas náuticas, cerca de 3000 quilómetros.

Esta prova de superação começou a ser preparada há três anos, integrada num projeto batizado de Swim the big Blue, que só foi possível graças a donativos que foi recebendo (mais de um milhão de euros) e a ajuda de patrocinadores.

Ben Hooper não está sozinho nesta aventura. Tem uma equipa de dez elementos (onde se incluiu um médico, um nutricionista e um especialista marítimo) que o acompanha permanentemente em duas embarcações, onde pernoita, descansa, recebe assistência e faz as suas refeições. O oficial de polícia tem previsto nadar entre 10 a 12 horas por dia (em duas sessões). E se conseguir concluir o seu objetivo, nunca chegará a Natal (Brasil) antes de março de 2017, ou seja, falamos de uma travessia de cinco meses.

Nadar nas águas do Atlântico tem os seus perigos. Além da variação da temperatura da água e das correntes, há sempre o risco de encontrar tubarões ou medusas. E por isso nada foi deixado ao acaso. Além de produtos repelentes, o fato que Ben utiliza foi desenhado para o tornar mais ou menos invisível a tubarões.

Esta saga pode ser acompanhada diariamente e ao minuto através das redes sociais. Para isso foram criadas contas no Facebook, Twitter e Instagram, além de um site oficial no qual são colocadas fotografias, vídeos, textos e até uma ferramenta de geoposicionamento em que é possível ver com exatidão as milhas percorridas pelo aventureiro e o local onde Ben se encontra. Além da equipa composta por dez elementos, a maioria navegadores, há também um representante do Guinness para comprovar que todas as regras são cumpridas à risca, para que, no final, se a missão for bem- -sucedida, o nome de Ben possa figurar no livro dos recordes.

"Desde a infância que sonho nadar pelo monstro atlântico a que chamamos Atlântico. A profundidade e o mistério sempre me fascinaram. Em criança ouvia histórias de tubarões, medusas, ondas gigantes mais altas do que navios de cruzeiro e luzes misteriosas. Já como adulto tive oportunidade de mergulhar e observar os cristais lindíssimos, mas também observar um dos mais perigosos territórios, que tem tanto de imprevisível como de impressionante. O sonho de nadar no Atlântico nas mãos de Posídon [Deus do mar] e conquistar o desconhecido é ao mesmo tempo assustador, inspirador e emocionante", escreveu Ben Hooper na introdução ao site.

Aos 5 anos, o oficial de polícia ia morrendo afogado numa piscina quando recebia aulas de natação - foi retirado da água inanimado e salvo por um nadador-salvador. Mas esse episódio ao invés de o retrair, aumentou a sua paixão pelo mar. "Para a maioria das pessoas um afogamento deixa-as com medo de voltar a enfrentar o mar. Mas no meu caso funcionou ao contrário e quis tornar-me um melhor nadador", contou.

Durante a adolescência tirou vários cursos de mergulho e passou a nadar diariamente cerca de 25 milhas, ao mesmo tempo que participava em provas de triatlo e conciliava esta sua paixão com o trabalho na polícia.

"Vejo vocês no Brasil", atirou Ben no domingo, na praia de Monaco, em Dakar, quando se atirou ao mar para iniciar esta aventura, prometendo que durante estes intensos cinco meses vai pensar na filha e inspirar-se em exploradores como Ranulph Fiennes (chegou aos Polos Norte e Sul a caminhar) e Vivian Fuchs (o primeiro homem a atravessar a Antártica a pé). "Vou precisar de me inspirar nas histórias de superação desses grandes homens, porque este desafio vai levar-me completamente ao limite", admitiu.

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