O barco voador de 12 milhões de euros que implicou 170 mil horas de trabalho

O Maxi Edmond de Rothschild esteve em testes em Cascais. Um trimarã de última geração capaz de atingir cerca de 100 km/h com ventos favoráveis e que quer bater recordes

"Podíamos ter feito 22/24 horas de Lorient (França) até Lisboa. Infelizmente não apanhámos ventos favoráveis e demorámos três dias. Mas posso jurar-lhes que este barco voa a sério". A garantia é de Cyril Dardashti, diretor geral da equipa Gitana. Cyril falava ao DN do imponente trimarã de 32 metros de comprimento e 23 de largura que esteve na semana passada alguns dias em Cascais. O novo brinquedo propriedade do barão Benjamin de Rothschild, que custou 12 milhões de euros e pesa 15,5 toneladas, foi construído para nas condições ideais atingir os 50 nós (quase 100 km/hora) e conseguir percorrer 900 milhas (perto de 1500 km) por dia.

O Gitana 17, que quando está em competição assume a designação Maxi Edmond de Rothschild (família de banqueiros muito ligada à vela), nome que está gravado nas velas, esteve a semana passada três dias em Cascais, no âmbito de vários testes que a equipa está a realizar de forma a desenvolver melhor a performance deste autêntico Fórmula 1 dos mares.

O DN teve a oportunidade de andar a bordo deste gigante trimarã, desenhado pelo arquiteto Guillaume Verdier. As condições de meteorologia não estavam brilhantes, mas mesmo assim foi possível atingir uma velocidade de 33 nós (cerca de 60 km/hora) e ver os foils levantarem da altura do mar. Sébastien Josse, o skipper, que também esteve a bordo, confessou-nos que nas condições ideais de vento, o barco pode levantar-se a 1,5 metros do nível da água.

O Gitana 17 demorou quase dois anos (20 meses) a ser construído, num total de 170 mil horas de trabalho (35 mil horas de estudo incluídas). Tudo foi desenhado e concebido ao mais pequeno pormenor, pois segundo o diretor geral da equipa, hoje em dia "a aerodinâmica e a tecnologia são fundamentais": "Diria que representam 60% do sucesso que ambicionamos ter nas provas em que entrarmos." O grande objetivo, e é para isso que estão a realizar estes testes há cerca de um ano, é que permita uma navegação a solo, ou seja, apenas com o skipper no barco.

O primeiro teste a sério será a 4 de novembro próximo, com a participação na 40.ª edição da Rota do Rum, a famosa regata que se realiza de quatro em quatro anos e que liga Saint-Malo (na região da Bretanha) a Guadalupe (Caraíbas). A médio prazo, provavelmente em 2019, a equipa pode também tentar bater o recorde mundial de vela em solitário, que atualmente está na posse do francês François Gabart - 42 dias, 16 horas, 40 minutos e 35 segundos, marca batida em dezembro de 2017.

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