Noventa anos depois os bidões na Volta já não são de folha e nem levam cerveja

Federação comemorou ontem na sua sede uma data histórica - a primeira edição do maior evento velocipédico do país, que se realizou há 90 anos. O DN foi um dos organizadores em 1927 e juntou-se à festa em Campolide

A 26 de abril de 1927 foram 42 os ciclistas que se lançaram à estrada na primeira edição da Volta a Portugal em bicicleta, organizada com o apoio do DN. Sentaram-se no selim no Marquês de Pombal, em Lisboa, mas a etapa só começou em Cacilhas, quando atravessaram o Tejo de barco. A Federação de Ciclismo, sediada em Campolide, fez ontem questão de celebrar esta data, 90 anos depois, numa altura em que os ciclistas são agora profissionais, tendo já trocado os então bidões de folha, onde muitos colocavam cerveja, por uns topo de gama.

"É tudo diferente hoje em dia, mas as coisas tendem a evoluir para melhor e é o que tem acontecido. Por exemplo, antes os prémios eram medalhas, objetos de arte ou até bacalhau, os ciclistas levavam as rodas suplentes às costas e as bicicletas pesavam toneladas, agora parecem folhas. Os bidões eram de folha e alguns tinham cerveja. Agora o espetáculo é outro", referiu ao DN o presidente da Federação Delmino Pereira, também ele um ex-vencedor da Volta a Portugal, apostando numa cada vez maior proximidade entre o público e a modalidade.

"A Volta a Portugal e o ciclismo, mais do que qualquer outra modalidade, são o povoamento do país. O povo está olhos nos olhos com os corredores, há uma proximidade física e é isso que nunca queremos perder. Queremos manter a identidade da prova e fazer que ela cresça todos os anos, em todas as provas", disse o dirigente, apontando aquele que considera ser o principal obstáculo de hoje em dia da organização.

"São os custos organizativos. Nem todos os municípios estão disponíveis para tal, pelo que se tem de encontrar um grande equilíbrio entre todos. Gostávamos de percorrer o país todo, unir todas as capitais de distrito, como se fez praticamente há 90 anos, e esse continua a ser um sonho", referiu Delmino Pereira, destacando também o papel da imprensa e dos jornais de referência como o DN.

"A imprensa é fundamental para um evento como este. O Diário de Notícias foi fundamental nos primórdios da Volta a Portugal e é como muito agrado que recebemos o jornal na nossa casa para festejar esta data. São jornais como o DN, e outros, que ajudam ao crescimento desta modalidade, tal como o JN, que é um dos atuais patrocinadores", referiu o máximo dirigente do ciclismo nacional.

1965 marcou o regresso do DN

A Volta a Portugal em bicicleta vai para a sua 79.ª edição, tendo o DN organizado o evento pela última vez em 1965. Guita Júnior, ex-jornalista que colabora agora com a federação, e que cobriu mais de 50 edições, recorda-se dessa prova dos anos 60.

"Fui um dos organizadores juntamente com o DN, ainda me recordo bem desse último ano de colaboração. Esse jornal é uma das imagens de marca do ciclismo e espero que um dia volte a colaborar com a Volta a Portugal. Foram parcerias muito interessantes, até porque esta é uma modalidade do povo", salientou ao DN o algarvio, de 88 anos.

79ª edição da Volta

A edição deste ano da Volta a Portugal, que começa no dia 4 de agosto e termina a 15 desse mês, fica marcada pelo regresso do interior do Alentejo às etapas.

A 79.ª edição da prova, que vai também assinalar os 90 anos da competição, parte de Lisboa, com um prólogo, estando a derradeira etapa marcada para Viseu. A edição de 2016 foi conquistada pelo português Rui Vinhas (W52-FC Porto).

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