"Na seleção não há clubes." O grito de guerra antes do jogo com Espanha

Portugal joga com a Espanha na quinta-feira (19.45, RTP1), em Sevilha, na primeira ronda do apuramento da Liga das Nações. São 4 jogos em 11 dias. Vitinha é baixa por estar infetado com covid-19.

"Na seleção não há clubes!" Esta foi a mensagem passada por Fernando Santos e João Moutinho, esta quarta-feira, na conferência de imprensa de antevisão do jogo de Portugal com a Espanha (quinta-feira, às 19.45 horas, em Sevilha), da 1.ª jornada do grupo 2 da Liga das Nações A. Esta ideia foi transmitida a propósito do processo instaurado aos portistas Otávio e Diogo Costa (devido aos cânticos insultuosos para com o Benfica durante os festejos do título do FC Porto, que também incluem Fábio Cardoso e Manafá), que integram o grupo de 26 convocados.

João Moutinho garantiu que "o espírito da seleção está bom" e "sempre foi bom", além de haver "entreajuda e vontade de vencer". "Na seleção não há clubes, há um grupo e um espírito muito fortes, estamos todos unidos para atingir a vitória por Portugal", atirou um dos capitães da equipa das quinas, antes de Santos dizer de sua justiça: "Como o João Moutinho disse, nunca tive aqui, desde 2014, um momento em que sentisse clubes cá dentro. O ambiente é este e é assim que vai continuar a ser."

Contornado o assunto incómodo, o selecionador nacional falou depois da importância da Liga das Nações. "Na primeira, havia muita gente a desvalorizar. Na segunda, caiu o Carmo e a Trindade por não irmos à fase final. O nosso objetivo é sempre vencer", atirou o treinador de 67 anos, garantindo que a "prova é muito importante para Portugal" e que não olha para ela como uma "preparação para o Mundial 2022".

Fernando Santos desmistificou ainda a teoria sobre a importância da posse de bola da Espanha, que na opinião do selecionador português nem é o ponto "mais forte" da seleção de Luis Enrique, mas sim "a capacidade que têm de a recuperar". E isso, diz, é culpa dos treinadores da escola do Barcelona: "Têm capacidade de recuperar bola. Essa sempre foi uma grande arma do Barcelona (Xavi), da seleção espanhola (Luis Enrique) e do City (Guardiola). Capacidade de jogar com bola, recuperá-la logo e jogar. Não queremos perdê-la para que eles a tenham menos tempo. Mas o futebol é o jogo dos golos. Podes ter 70% de posse, mas se não chegas à baliza, não fazes golo. Espanha joga em posse objetiva, procura soluções e empurra adversário para trás", analisou Fernando Santos, revelando que a equipa trabalhou "a profundidade" para dar resposta a isso. O técnico não tem dúvidas que estarão em campo "duas equipas tremendas".

Quanto ao calendário e aos quatro jogos em 11 dias, diz ser "claramente exagerado" e algo que nunca viu: "Se as 72 horas, a certa altura da época, já não chegam, no fim é quase impraticável. Os jogadores estão bem, com alegria e motivação, mas vemos que há ali algumas dificuldades. Num treino com mais de 60 minutos, sentimos que já abanam um bocadinho. Isso obriga a rotação clara, pois é impossível jogar o mesmo onze em quatro jogos. Nem pensar."

Depois do jogo com a Espanha, a seleção nacional joga com a Suíça (domingo) e a República Checa (dia 9), em Alvalade, e fecha a época com novo jogo com os suíços, em Genebra (dia 12).

A estratégia para ter os jogadores felizes e descansados para esta maratona passou por "dar quatro dias" a cada um entre o último jogo pelos clubes e a apresentação ao serviço da seleção. Rui Patrício, Diogo Jota e Pepe foram os últimos a chegar. Quanto a Cristiano Ronaldo, que se apresentou sem qualquer troféu pela primeira vez desde 2009, Fernando Santos resumiu: "Numa frase: melhor do mundo."

Não ter tido Diogo Jota mais cedo é uma boa desculpa para lançar Rafael Leão em Sevilha? "Não há boa desculpa nem bom motivo. Aqui não há lugares cativos. O selecionador coloca os que acha serem melhores. Vamos fazer rotação", respondeu, ressalvando que o trabalho do selecionador não assenta em "boas desculpas".

Sem Vitinha [infetado com covid-19], Fernando Santos quer "dar continuidade" ao que tem feito nos últimos jogos, do playoff de apuramento para o Mundial 2022, com a Turquia e a Macedónia do Norte. "O padrão e forma de jogar é o que vamos procurar manter. Haverá uma ou duas mudanças em relação à equipa dos últimos jogos com a Turquia e a Macedónia. Vou procurar é que a equipa mantenha o padrão, fazendo alterações de jogo para jogo. De forma clara, queremos consolidar o nosso padrão de jogo nesta Liga das Nações, competição que queremos ganhar", sublinhou.

isaura.almeida@dn.pt

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