Mourinho ao ataque: "Se tenho algo a provar imaginem os outros"

Na primeira vez que falou aos jornalistas como treinador do Manchester United, garantiu que quer "ganhar tudo" e que está no emprego "que toda a gente quer". As guerras com Guardiola não se vão repetir em Inglaterra

Bem preparado, calmo, ambicioso e sem meias palavras. Foi assim que José Mourinho compareceu ontem na primeira conferência de imprensa como treinador do Manchester United. Falou de tudo. Objetivos para a nova época, jogadores e reforços, a rivalidade com Pep Guardiola, a saída de Ryan Giggs e até deixou uma alfinetada a Arsène Wenger, treinador do Arsenal.

Mourinho já conhece a imprensa inglesa das duas passagens anteriores pelo Chelsea. E por isso trazia uma cábula para responder à pergunta sobre a sua alegada pouca aposta em jogadores mais jovens. "Quanto tempo ainda temos? Cinco minutos? Não teria tempo suficiente para falar sobre isso. Promovi 49 jogadores. 49", atirou o treinador português, esclarecendo que nunca promove "jogadores por necessidade, mas sim por convicção."

Mas Mourinho começou por deixar um enorme elogio ao clube de Old Trafford, cujo Estádio Bobby Charlton apelidou um dia de Teatro dos Sonhos : "Cheguei a um clube que é difícil de descrever. Não gosto da descrição de que este é o lugar de sonho. Esta é a realidade e a realidade é que este é o emprego que toda a gente quer. Sei o que esperam de mim. Conheço a história do clube e o que os adeptos querem de mim. Penso que este é um desafio que chega no momento certo da minha carreira. Sinto-me preparado e muito motivado."

A primeira resposta aos adeptos estava dada. Seguiram-se os objetivos, num clube que atravessa um longo jejum de títulos - o último campeonato ganho foi na época 2012/13. "Quero tudo. Quero ganhar jogos, quero jogar bem. Quero ter jovens jogadores, marcar golos e não quero sofrê-los. Quero que os adeptos estejam connosco quando nos últimos dez minutos andamos atrás de um resultado. Quero que os adeptos nos apoiem porque nos últimos dez minutos estamos a defender um resultado. Eu quero tudo, claro que não vamos ter tudo, é óbvio, mas não deixamos de o querer."

O destino voltou a juntar Mourinho e Pep Guardiola no mesmo campeonato depois das grandes batalhas travadas na Liga espanhola. Mas para o treinador português, nada será como antes, e por isso desvalorizou a rivalidade com o treinador do Manchester City. "Uma coisa é estar numa competição como a de Espanha, em que é uma corrida de dois cavalos, ou em Itália, de três equipas. Mas na Liga inglesa não faz sentido. Se nos focarmos numa equipa e num adversário, os outros riem-se, e não vou fazer parte disso. Sou o treinador do Manchester United, com respeito por todos os outros clubes", atirou, rejeitando o termo "inimigos".

Mais um exemplo de como o treinador se preparou bem foi a resposta à pergunta se tinha algo a provar depois do fracasso no Chelsea. "Há treinadores que não ganham títulos há dez anos e outros que nunca ganharam. A última vez que venci foi há um ano", respondeu, numa indireta a Arsène Wenger. Ainda no seguimento desta questão Mourinho foi perentório: "Se tenho alguma coisa a provar, imaginem os outros. Não tenho que provar nada aos outros clubes, apenas a mim mesmo. Nunca serei capaz de trabalhar sem sucesso. Faz parte da minha natureza."

Relativamente a novos jogadores, admitiu que existem quatro posições a reforçar. E também aqui foi claro sobre o que pretende. "Sou um treinador que gosta de especialistas e não tanto jogadores polivalentes. Sou muito claro no meu modelo de jogo e preciso de especialistas. Apontámos a quatro alvos, até termos o quarto vamos continuar a trabalhar duro", afirmou, deixando claro que ao contrário do selecionador inglês, não vai colocar Wayne Rooney a jogar no meio-campo.

Mourinho confidenciou ainda os dois conselhos que Alex Ferguson lhe deu para esta nova aventura no clube - "disse-me para trazer um chapéu-de-chuva! Ontem não queria acreditar que estava a chover no treino. O segundo foi que trouxesse a minha garrafa de vinho, porque vamos ter a oportunidade de estar muito tempo juntos" - e assumiu que persegue o recorde de jogos de Sir Alex na Champions.

Um último comentário à saída de Ryan Giggs da equipa técnica: "Ele desejava ser o treinador, como em 2000 também o desejei. Ele podia ser o que quisesse no clube, mas tomou a decisão em que temos de ser corajosos."

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