MotoGP. Sem Rossi pela primeira vez no século XXI, mas com Miguel Oliveira

Mundial arranca este fim de semana com o piloto português da KTM à procura da época da "consistência" na quarta presença entre a elite do motociclismo. Heptacampeão espanhol está de volta e quer o sétimo título.

É o primeiro Mundial de MotoGP no século XXI sem o italiano Valentino Rossi! Mesmo sem Il Dotore (sete vezes campeão) pela primeira vez desde 2000, o motociclismo de velocidade volta sexta-feira em Losail, no Qatar (a corrida é no domingo, mas antes há treinos e qualificação), com Miguel Oliveira pela quarta época consecutiva entre a elite mundial. O piloto português procura a época da consistência depois de no ano passado ter apontado ao título mundial e ter sido traído pela sua KTM, acabando num modesto 14.º lugar com uma corrida ganha (Catalunha).

Sem estabelecer um objetivo à partida, Miguel Oliveira quer encontrar "a consistência" que lhe faltou em 2021, de forma a poder amealhar pontos "em todas as provas". Se assim for, vai estar a lutar pelas primeiras posições no final da temporada. O ano passado chegou a meio do campeonato em bom nível, com uma vitória (Catalunha), dois segundos lugares (Itália e Alemanha) e um quinto, nos Países Baixos. Depois a moto começou a revelar problemas ao nível do sobreaquecimento dos pneus e a fratura no pulso esquerdo limitou-o fisicamente durante a parte final da temporada, não voltando a acabar entre os 10 primeiros e terminando em 14.º, depois de um nono lugar em 2020 e um 17.º em 2019, época de estreia no MotoGP.

Aos 27 anos, fazer melhor na segunda temporada na equipa oficial da KTM não é difícil para o piloto de Almada. Este ano a moto parece estar mais competitiva, mas a sensibilidade dos pneus nos primeiros ensaios de pré-temporada mostraram que a KTM continua a ter dificuldades em ser rápida a uma volta (qualificação). Mas Miguel Oliveira demonstrou ser dos mais rápidos em ritmo de corrida (série longa de voltas).

Em final de contrato com a KTM, o piloto conta ter a situação contratual resolvida até ao verão, mas já foi sondado pela Yamaha... O desempenho até lá e a palavra do italiano Francesco Guidotti, contratado para o lugar do austríaco Mike Leitner, serão decisivos.

O falcão do motociclismo português venceu três grandes prémios em três anos, um deles em Portimão, em 2020. O Autódromo Internacional do Algarve mantém-se no calendário, acolhendo o Grande Prémio de Portugal pelo terceiro ano consecutivo, a 24 de abril.

A reforma de Il Dotore

O mundial 2022 é um virar de página para o motociclismo de velocidade. Rossi deixou as pistas no ano passado depois de nove títulos mundiais (entre 2001 a 2005, em 2008 e 2009) e mais de 100 vitórias na prova rainha em 21 anos. O italiano vai continuar no paddock, agora no papel de dono de equipa, com a Mooney VR46, com motos Ducati e os italianos Luca Marini (meio irmão de Rossi) e o promovido Marco Bezzecchi - um dos cinco estreantes. Além de Rossi, deixaram o MotoGP Danilo Petrucci (passou para o todo-o-terreno e deu show no Dakar 2022) e Iker Lecuona (mudou-se para as Superbikes).

O pelotão subiu de 22 para 24 pilotos, com destaque para o espanhol Marc Márquez (seis vezes campeão) e os dois últimos campeões mundiais, Joan Mir (Suzuki) e Fábio Quartararo (Yamaha). O supercampeão espanhol (29 anos) passou as duas últimas temporadas a recuperar de lesões. Um braço partido custou-lhe a temporada de 2020 e parte de 2021, que terminou antecipadamente, depois de uma queda lhe ter provocado efeito de visão dupla.

Agora regressa com ambição renovada e com uma Honda que aparenta ser mais competitiva do que nos últimos dois anos. Além da Yamaha e da Suzuki, o exército da Ducati liderado por Francesco Bagnaia parece destinado ao sucesso. E sem esquecer uma das surpresas da pré-temporada, a italiana Aprilia, que contratou Maverick Viñalaes, despedido da Yamaha a meio da temporada passada após críticas à moto que se viria a sagrar campeã mundial com Quartararo.

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