Ministério Público investiga e-mails que envolvem Benfica

Denúncia anónima na base do início da investigação. Em causa está alegado esquema de corrupção divulgado pelo FC Porto devido a troca de mensagens entre Pedro Guerra e ex-árbitro

O Ministério Público (MP) está a investigar uma denúncia anónima que chegou ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito de corrupção desportiva, envolvendo o Benfica - uma alegada troca de e-mails entre Pedro Guerra, diretor da Benfica TV, e o ex-árbitro Adão Mendes, caso que foi divulgado anteontem pelo diretor de comunicação do FC Porto. O departamento chefiado por Amadeu Guerra encaminhou o caso, que remonta a 2014, para o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, que acabou por abrir um inquérito.

"Confirma-se que foi recebida uma denúncia anónima, através da plataforma do DCIAP, e a mesma foi encaminhada para o departamento do Ministério Público competente - o DIAP de Lisboa - com vista a instauração de inquérito", disse fonte oficial do gabinete de Joana Marques Vidal ao DN. Plataforma acessível a qualquer cidadão comum que através do site do DCIAP pode revelar suspeitas de atos ilícitos na área da corrupção e enviar anexada a respetiva documentação/prova para ajudar as autoridades na investigação.

Em causa estão as declarações feitas anteontem pelo diretor de comunicação do FC Porto, que denunciou um alegado "esquema de corrupção para beneficiar o Benfica". Francisco J. Marques divulgou alegados e-mails trocados entre Pedro Guerra e o antigo árbitro Adão Mendes, nos quais este enumera os árbitros em que o Benfica podia confiar: Manuel Mota, Bruno Esteves, Nuno Almeida, Vasco Santos, Jorge Ferreira e Paulo Batista. "Em fevereiro de 2014, Adão Mendes, um ex-árbitro de primeira categoria, mandou um e-mail ao Pedro Guerra [comentador afeto ao Benfica] a dizer: "Não podemos ser mansinhos"", afirmou Francisco J. Marques, antes de continuar a ler o documento.

Segundo o DN apurou, o Ministério Público investiga suspeitas de atos de corrupção desportiva no âmbito da lei aprovada recentemente no Parlamento. Diploma que prevê a punição com penas de um a oito anos para corrupção passiva (até aqui punível com pena de prisão de um a cinco anos) e com pena de prisão de um a cinco anos para o crime de corrupção ativa (punível, até agora, com pena de prisão até três anos ou de multa).

Novas revelações a caminho

Francisco J. Marques garantiu ontem ao DN que não foi o FC Porto que apresentou a queixa anónima ao MP. "Acho bem que se investigue", disse o diretor de comunicação dos dragões, que deixou a certeza de que "para breve vai haver novas revelações". "O que foi revelado ontem [anteontem num programa do Porto Canal] é verdade e é exatamente como eu o disse. Os documentos estão bem guardados e posso dizer que temos outros documentos bastante comprometedores, para não dizer outra coisa", assumiu o diretor portista.

No que diz respeito à possibilidade de o FC Porto avançar com uma participação, Francisco J. Marques garantiu que o clube "irá agir nas diferentes entidades desportivas e não desportivas, mas no momento em que for achado oportuno".

Conselho de Disciplina analisa

No âmbito desportivo, o DN apurou junto de fonte federativa que esta é uma questão que ainda está a ser analisada pelo Conselho de Disciplina (CD), pelo que apenas nos próximos dias será conhecida a decisão, que poderá passar por não haver qualquer procedimento ou remeter o caso para a Comissão de Instrutores da Liga, tendo em vista um inquérito para apurar se os indícios configuram um ilícito disciplinar.

Será sempre o CD a desencadear um eventual processo de inquérito ou disciplinar, não precisando para isso que seja feita qualquer participação, uma vez que a denúncia do diretor de comunicação do FC Porto foi pública, razão pela qual este órgão disciplinar age com base na notícia ou na declaração que, neste caso, foi proferida publicamente.

O que o CD irá apurar nos próximos dias é se há um mínimo razoável de credibilidade num conjunto de indícios que estão em cima da mesa. E nesse sentido fonte federativa admite que o facto de na base desta denúncia estarem e-mails provados poderá ser inibidor para acionar disciplinarmente.

Contactada pelo DN, fonte da Liga confirmou que "a abertura de um inquérito tem de partir do CD" e sobre este caso relativo a um alegado "esquema de corrupção para beneficiar o Benfica" que foi tornado público pelo diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, a mesma fonte garantiu que "a Liga e a Comissão de Instrutores estão atentas a todas as declarações no âmbito das competições profissionais, sempre com critérios de objetividade e imparcialidade".

Ao início da tarde de ontem, o Benfica emitiu um comunicado em que "repudia e desmente de forma veemente as falsas e absurdas insinuações" do diretor de comunicação do FC Porto, acrescentando que "avançará com o correspondente processo-crime por difamação e outros processos que se justifiquem". O DN sabe que além da participação criminal o Benfica irá interpor uma ação contra Francisco J. Marques na justiça desportiva.

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