Marega manteve o nulo num clássico com duas faces

Benfica entrou melhor, mas beneficiou da falta de pontaria do maliano do FC Porto, num clássico com mais pimenta do que futebol.

O clássico do Dragão começou a ser jogado no meio-campo do FC Porto e acabou instalado sobre a baliza do Benfica, sem que nenhuma das equipas fosse capaz de materializar os respetivos períodos de domínio e evitar que o resultado chegasse ao fim da mesma forma como começou: um 0-0 que beneficiou apenas o Sporting, que assim igualou o dragão no topo da tabela.

No primeiro duelo no relvado entre ambos desde o clima de guerra aberta instalado com o eclodir do caso dos e-mails, FC Porto e Benfica lutaram mais do que jogaram num clássico que terminou com os nervos à flor da pele, com sururus dentro e fora das quatro linhas - um adepto portista até entrou no relvado para atingir alguém do banco encarnado - e as águias a chegarem ao final com apenas dez, após expulsão de Zivkovic, que conseguiu ver dois amarelos disparatados nos pouco mais de cinco minutos que esteve em campo.

Objetivamente, a maior fatia de responsabilidade pelo 0-0 final tem de ser atribuída ao portista Marega, que desperdiçou as três mais claras oportunidades de golo da partida, todas na segunda metade e a última delas já em período de compensação, quando conseguiu cabecear por cima da trave, junto à linha da pequena área, com a baliza à mercê após bom centro de Otávio.

O jogo acabou com o FC Porto em pressão sobre a área encarnada, depois de uma segunda parte em que esteve quase sempre por cima, mas o Benfica conseguiu sair vivo de um clássico em que entrou de forma bem personalizada.

Benfica primeiro, FC Porto depois

Surpreendentemente, dado o que tem sido o desempenho das duas equipas nesta temporada, o Benfica entrou no Dragão com capacidade para pegar no jogo, controlar a bola, guardá-la para si e impor o ritmo que mais lhe interessava.

Rui Vitória manteve a confiança em Varela na baliza e manteve também o recente 4x3x3 que tem sido a resposta do técnico às debilidades que o Benfica passeou nos relvados nestes primeiros meses. Ou seja, com a nova tríade do meio-campo (Krovinovic a juntar esforços com Pizzi e Fejsa) e com Jonas isolado no centro do ataque. E a verdade é que uma eficiente ocupação dos espaços centrais permitiu ao Benfica entrar melhor no Dragão, impondo-se a um FC Porto estranhamente sem bola e remetido a missão defensiva.

Na equipa portista, Sérgio Conceição também não reservou surpresas para o onze, repetindo a aposta em Sérgio Oliveira para o meio-campo, uma espécie de joker para os jogos top da época - como acontecera em Alvalade e no Mónaco, por exemplo. Mas o FC Porto entrou sem o punch que tem mostrado na temporada, surpreendido por uma pressão eficaz do Benfica logo à saída da sua posse de bola, e demorou a acertar o passo.

Aos 15 minutos, o registo estatístico mostrava um improvável 70--30 em percentagem de posse de bola a favor da equipa de Rui Vitória, com dois remates contra zero, e foi preciso esperar até ao 24.º minuto para se assistir a um remate portista. O FC Porto cresceu no último quarto de hora da primeira parte, com mais vontade do que futebol, é certo, mas fazendo valer maior agressividade nos duelos. E o Benfica sofreu os primeiros vacilos. O jogo chegou ao intervalo com os dragões já a equilibrar remates e posse de bola e a reclamarem um possível penalti de Luisão num corte (de cabeça/braço?).

Na segunda metade, com o argelino Brahimi a assumir papel mais ativo na criação, o FC Porto impôs-se finalmente ao Benfica, aumentou ritmo, encostou a equipa de Rui Vitória mais atrás e os lances começaram a aparecer junto à baliza de Bruno Varela. Herrera chegou a marcar, mas após um fora-de-jogo já assinalado antes a Aboubakar, que deixou os portistas mais uma vez a reclamar.

Sérgio Conceição não arriscou dois pontas-de-lança para tentar a vitória, trocando Aboubakar por Soares, e nem a expulsão de Zivkovic desequilibrou o nulo no marcador. Muito por culpa de Marega, claro.

No fim, feitas as contas, nem o FC Porto aproveitou para deixar o Benfica distante na luta pelo título nem o Benfica conseguiu anular a desvantagem para o rival. Agradece o Sporting.

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