Marcelo e Costa aplaudiram a seleção contra o terrorismo

Presidente da República e primeiro-ministro destacaram o simbolismo do jogo com a Bélgica. Revistas ao público e aparato policial maior do que o normal foram visíveis

O Municipal de Leiria nunca viu nada assim. Presidente da República e primeiro-ministro de Portugal nas bancadas e um desfile de estrelas no relvado, num jogo que foi também de homenagem às vítimas do atentado terrorista de Bruxelas. Excetuando a abertura e a final do Euro2004, não há memória de um jogo de futebol no nosso país com as mais altas figuras do Estado lado a lado.

A partida era para ser na capital belga, mas passou para Leiria, a solução encontrada para mostrar que "o futebol não tem medo", como disse Fernando Santos. E as mais altas personalidades viram no Portugal-Bélgica uma boa oportunidade para mostrar solidariedade para com as vítimas dos atentados e condenar o terrorismo. Mas a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues (presidente da Assembleia da República), Joaquim Sousa Ribeiro (presidente do Tribunal Constitucional), António Henriques Gaspar (presidente do Tribunal de Justiça), entre outros, criou um um verdadeiro (mas eficiente) pesadelo para as forças de segurança - até na cobertura do estádio havia elementos da polícia, atentos a tudo o que se passava.

Para o Presidente da República era um jogo pela defesa dos princípios comuns dos cidadãos. "Quando aqui está o Presidente da República e todos os órgãos de soberania quer dizer que estamos aqui a representar os portugueses e a dizer da nossa admiração e solidariedade com o povo belga na luta pela democracia, liberdade, direitos humanos, por aquilo que é fundamental", disse Marcelo antes do jogo. E lembrou que além de ser um espetáculo desportivo foi também "uma grande manifestação humana, de quem não se intimida e de quem defende as suas causas".

Também o primeiro-ministro enalteceu a resposta dos portugueses."É bastante mais do que um jogo de futebol. É um momento de solidariedade para com o povo belga, com o reino da Bélgica pelo atentado que sofreram e que vitimou de uma forma tão horrenda e que nos atingiu a todos" referiu António Costa. O chefe do Governo voltou a lembrar que "é necessário que existam medidas de segurança para combater o medo e dar a ideia de segurança".

Ontem, o estádio que "vive às moscas" a maior parte do tempo, reviveu os tempos do Euro2004. Só não estava habituado a tanta força de segurança! Além do grande aparato policial nas imediações e no estádio, a revista foi minuciosa. E a presença da Unidade Especial de Polícia foi notória, assim como a coordenação das duas principais organizações, a PSP e a GNR.

Além dos mais de 20 mil portugueses nas bancadas (entre eles Quinito, que na semana passada emocionou o país e foi convidado pela Federação), também havia adeptos "belgas", com faixas alusivas aos atentados de Bruxelas. David Baptista, nascido em Bruxelas, filho de portugueses, viveu os acontecimentos em Portugal. "Tive familiares que por sorte não apanharam esse metro do atentado. Foi por muito pouco que não tivemos um drama maior", contou ao DN. Estava convidado para o jogo de Bruxelas pela organização, por simbolizar a ligação entre Portugal e Bélgica, e ficou "muito triste" quando soube do cancelamento. Por isso quando anunciaram que a partida ia ser em Leiria decidiu "trazer os miúdos para ver o Cristiano Ronaldo com a Bélgica", "sem medo", porque "o futebol é uma festa.

Os jogadores entraram em campo ao ritmo do hino da Eurovisão e misturados: um belga, um português... Depois cumpriu-se o minuto de silêncio pelas vítimas, com os placards iluminados com as cores da bandeira belga. A seguir bola para a frente, afinal o jogo era de preparação para o Euro2016 e do outro lado, além da seleção do país vítima dos atentados, estava também a número 1 do ranking FIFA.

No fim Portugal fez a festa com golos de Nani e Ronaldo e Leria despediu-se de portugueses e belgas com a ajuda do Castelo, que se iluminou com as cores da bandeira belga e portuguesa.

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