Madeira Rodrigues pretende apresentar investidores árabes antes das eleições

Candidato vai fazer périplo por países árabes e tem planos para recompra da academia e 'naming do estádio de Alvalade

O candidato à presidência do Sporting, Pedro Madeira Rodrigues, deslocar-se-á em breve a vários países árabes, onde diz ter vários investidores dispostos a investir, cujos rostos pretende apresentar antes das eleições.

"Vou agora a vários países árabes para contactar com investidores dispostos a apoiar o Sporting de várias maneiras, uma delas passa pela recompra da Academia. Mas temos ideias que passam também por investir no 'naming' do estádio de Alvalade, no pavilhão e na própria Academia", disse, em entrevista à Agência Lusa, Madeira Rodrigues, que promete apresentar esses investidores antes do dia 04 de março, ao contrário da atual direção, que "tem um investidor de 18 milhões que ninguém sabe quem é".

O candidato à presidência dos leões mostra-se, de resto, preocupado com a situação financeira do Sporting, "por mais que a atual direção diga que é fantástica", por vários sinais que indicam o contrário, como a forma como foram "despachados à pressa vários jogadores do plantel, pela venda de Montero há um ano e pela antecipação de receitas, como foi o caso do recente contrato feito com a Macron".

Madeira Rodrigues interroga-se: "Como é possível renovar um contrato como este a um mês das eleições? Só se explica com dificuldades financeiras ou de tesouraria. Caso contrário, a explicação seria mais grave."

Por isso, não tem dúvidas de que o Sporting precisa destes investidores árabes, que "sabem olhar as contas e são racionais", e diz que os mesmos, a quem mostrou "o que é o Sporting", acreditam nele e na sua equipa.

"Acreditam e revêm-se em nós, porque lhes mostrámos o que é o Sporting, lhes falámos de Cristiano Ronaldo, da nossa formação, dos nossos recentes campeões europeus formados no clube. Eles percebem que o Sporting é um projeto de futuro", acrescentou Madeira Rodrigues, que quer "atrair outros investidores e tratar melhor os atuais, que têm sido muito maltratados pela atual direção".

Sem querer revelar o nível de investimento árabe que espera, o candidato pretende canalizar essas verbas "para tornar a equipa de futebol mais competitiva", sem, no entanto, gastar tanto como a atual direção, mas cedendo "muito mais meios" ao próximo treinador "do que aqueles que foram dados a Leonardo Jardim e a Marco Silva".

Desafiado a revelar a identidade dos investidores em causa, Madeira Rodrigues disse que alguns deles "não querem aparecer para já", mas que outros, "que não se importam de dar a cara", irão ser apresentados antes de 04 de março.

Questionado sobre a atual situação financeira, reconhece que a passagem de Bruno de Carvalho pelo Sporting "foi muito importante, especialmente no primeiro ano", embora confesse que achava, a princípio, que a sua chegada à presidência "seria um grande risco para o clube".

Não tem pejo em elogiar o atual presidente, ainda que "tivesse a 'papinha' da reestruturação financeira toda feita por José Filipe Nobre Guedes", ex-vice da área financeira de Godinho Lopes: "Ele poderá explicar tudo o que fez se o quiser entrevistar, com a colaboração de algumas pessoas ligadas a Bruno de Carvalho que estão no Conselho Leonino e na sua comissão de honra e que prepararam muito bem esse dossier. Há ali coisas muito inteligentes e bem feitas, que protegem o Sporting."

"O problema é que depois descambou com o treinador Marco Silva, com o salário milionário de Jorge Jesus e com a duplicação do orçamento de um ano para outro, além de outro aumento de 30 por cento que é insustentável", referiu Madeira Rodrigues, para quem Bruno de Carvalho "perdeu a cabeça" com as vendas de João Mário e Slimani e "desatou a gastar à maluca".

Confrontado com a redução significativa dos passivos totais consolidados da SAD de 442 milhões de euros em 2013 para 335 milhões em junho de 2016 no mandato de Bruno de Carvalho, o candidato alega haver nesse exercício "contas complicadas e uma excessiva empresarialização do Sporting que afastou os sócios".

"O Sporting corre o risco de perder a maioria do capital da SAD com as VMOC's (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis). Quando comecei a estudar as contas do Sporting pensei que, com quarenta e poucos milhões de euros, iríamos conseguir manter a maioria de capital, mas agora, feitas novas contas, vamos precisar, afinal, de 67 milhões daqui a dez anos para alcançar esse objetivo", explicou Madeira Rodrigues, que promete colocar a sua equipa a trabalhar neste dossiê depois de ser eleito.

O candidato não vê como é que o atual presidente pode cumprir a promessa de comprar as VMOC"s: "Vai comprá-las como? Com a gestão que está a fazer não vai de certeza. Está a cometer os mesmos erros do passado e que tanto criticávamos. Naturalmente que faz parte da estratégia de um clube formador vender jogadores, mas temos de ser capazes de ter as contas equilibradas sem precisar disso, e aí podermos negociar melhor essas vendas".

"Se as contas fossem tão boas, como ele diz, então foi ainda mais grave a venda do Montero em janeiro do ano passado. Vender um jogador que estava com 'pé quente', que entrava e marcava, e que resolveu vários jogos, mesmo sendo suplente, para o trocar pelo Barcos, é de quem não percebe nada de futebol", insistiu Madeira Rodrigues, para quem "o Sporting pode ter perdido o campeonato da época passada por causa disto".

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