Jorge Mendes ouvido como arguido durante quase três horas

O empresário português terá dito que só intervém em questões desportivas

O empresário Jorge Mendes, que representa Cristiano Ronaldo, foi hoje ouvido durante quase três horas no Tribunal de Instrução de Pozuelo de Alarcón, Espanha, no âmbito de um processo de fraude fiscal ao futebolista colombiano Radamel Falcao.

Jorge Mendes chegou ao tribunal pelas 10:55 locais (09:55 em Lisboa), não prestando declarações, saindo do edifício, também em silêncio, pouco antes das 15:00.

À chegada ao tribunal, o dono da Gestifute, recusou fazer comentários aos jornalistas. No interior, de acordo com o jornal As, Jorge Mendes insistiu que apenas trata de questões desportivas. O empresário afirmou, segundo a mesma fonte, que o seu trabalho se limita às negociações entre clubes e jogadores para transferências e empréstimos.

Em tribunal, Jorge Mendes terá repetido a ideia transmitida num comunicado da Gestifute datado de dia 14. "Nem Jorge Mendes nem a sociedade que gere, a Gestifute, participam nem prestam qualquer tipo de serviço relacionado, direta ou indiretamente, com a assessoria financeira, fiscal ou jurídica dos seus representados, que são mais de 200 grandes desportistas de todo o mundo".

Jorge Mendes representa vários futebolistas acusados de fraude fiscal.

Em 13 de junho, Cristiano Ronaldo foi acusado pelo Ministério Público de Espanha de quatro delitos contra os cofres do Estado, cometidos entre 2011 e 2014, que contabilizam uma fraude tributária de 14.768.897 euros. O futebolista, que se encontra a representar Portugal na Taça das Confederações, foi convocado pelo tribunal de instrução de Alarcón, em Madrid, para depor em 31 de julho.

O advogado Julio Senn, da firma que assessorou Cristiano Ronaldo na recente inspeção fiscal, defendeu publicamente que o futebolista português "fez bem" as suas tributações e, que por isso, defenderá os seus direitos nos tribunais.

Radamel Falcao, atual jogador do Mónaco e ex-jogador do FC Porto, foi acusado de uma fraude fiscal no valor de 5,66 milhões de euros, em 2012 e 2013, quando atuava no Atlético de Madrid.

O Ministério Público de Madrid também acusou o português Fábio Coentrão, companheiro de equipa de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, de ter defraudado o fisco espanhol em 1,29 milhões de euros, entre 2012 e 2014.

A Falcao e Coentrão são imputados cinco delitos contra a Fazenda Pública espanhola, tendo em conta os dados recolhidos pelo fisco sobre as suas situações fiscais.

Falcao é acusado de ter criado uma sociedade com o único fim de ocultar à Fazendo Pública espanhola as receitas geradas em Espanha pelos seus direitos de imagem obtidos em 2012 e 2013 -- 822.609 e 4.839.253 euros, respetivamente -, valores que também não foram declarados fora de Espanha.

Antes, o argentino Ángel Di Maria e o português Ricardo Carvalho, ambos ex-jogadores do Real Madrid, também foram acusados de alegados delitos fiscais.

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