Jon Rahm, o novato que procura desafiar a lógica do Masters

Espanhol de 22 anos já saltou até ao 12.º lugar do ranking mundial, em apenas dez meses como profissional. Chega entre os favoritos a Augusta, onde nenhum rookie ganha desde 1979

Só por uma vez um estreante conseguiu vestir o mais famoso casaco verde do mundo, atribuído pelo Augusta National Golf Club ao vencedor do Masters, o mais novo e também o mais glamoroso dos quatro grandes torneios (majors) do mundo do golfe. Fuzzy Zoeller, em 1979, foi o autor da rara proeza - antes dele, só os campeões das duas primeiras edições eram estreantes, feito pouco significativo dadas as circunstâncias e ainda sem direito a vestir o green jacket, que só começou a ser uma tradição para os vencedores a partir de 1949.

Este é um dado normalmente utilizado para reforçar a fama de difícil do icónico campo de Augusta, na Geórgia (EUA), que eleva os seus campeões ao olimpo do golfe e enterra as aspirações de muitos outros. Um rookie a vestir o casaco verde seria quase uma desfaçatez, que nos últimos anos ficou perto de ser concretizada por Jason Day (em 2011) e Jordan Spieth (2014).

Este ano, contudo, na 81.ª edição do Masters que se disputa entre hoje e o próximo domingo, há o nome de um estreante a causar grande expectativa entre os tradicionais favoritos à vitória: Jon Rahm, um espanhol de 22 anos nascido no País Basco (Barrika, 1994), mas com a reta final da formação cumprida nos Estados Unidos, na Universidade de Arizona State.

O hype em torno do espanhol foi sendo reforçado ao longo do último ano, desde que, em junho passado, ainda no seu último torneio como amador, ficou em 23.º lugar no US Open, outro dos quatro majors do calendário anual do golfe. De então para cá, em menos de dez meses como profissional, Rahm saltou do número 554 no ranking mundial para as portas do top 10 (é 12.º esta semana), graças a um percurso impressionante que conta já com uma vitória num torneio PGA Tour (o circuito profissional norte-americano), cinco top 3 e mais de quatro milhões de dólares ganhos (4.34 -cerca de quatro milhões de euros).

Para trás, tinha ficado um trajeto impactante já enquanto amador, com o basco a tornar-se o primeiro a ganhar por dois anos consecutivos o troféu Ben Hogan, destinado ao melhor golfista universitário nos EUA (2015 e 2016), bateu o recorde de semanas como líder do ranking mundial de amadores (60) e ganhou o Troféu Eisenhower, competição bienal que é uma espécie de campeonato do mundo, destroçando marcas do lendário Jack Nicklaus.

Por isso, e apesar de se estrear no desfile por Magnolia Lane - a famosa rua rodeada de frondosas árvores que dá acesso à entrada no Augusta National Golf Club -, o nome de Rahm surge entre os mais bem cotados nas casas de apostas para a conquista do Masters, primeiro major do ano, ao lado de nomes consagrados como os de Jordan Spieth, Rory McIlroy, Jason Day, Hideki Matsuyama ou Dustin Johnson, o recente líder mundial, que vem embalado por uma série de três vitórias consecutivas em torneios, tendo derrotado Rahm na final do mais recente, há duas semanas, no WGC-Dell Technologies Match Play.

"Estou cá porque penso que posso ganhar. Se não nem sequer tinha vindo", atirou destemido, aos jornalistas, o novato espanhol a quem colaram já a alcunha de Rahmbo, pelo jogo poderoso. Phil Mickelson, um dos mais respeitados veteranos do circuito, com três Masters já no currículo, apoia essa candidatura do rookie. "Eu acho que ele está pronto, sim. Para mim, ele é já um dos melhores dez jogadores do mundo, com apenas dez meses no circuito", referiu o popular Lefty (alcunha do esquerdino).

Mickelson sabe do que fala, ou não fosse ele irmão do empresário de Rahm, Tim Mickelson, que deixou para trás o seu cargo de renomado treinador na Universidade de Arizona State para gerenciar a carreira do promissor golfista espanhol. Os Mickelson conhecem bem o "carácter ganhador" do basco, um indefetível fã do Athletic Bilbao com uma personalidade demasiado vincada que, ao início, obrigou a algum trabalho extra na universidade.

"De início tivemos alguns problemas, mas o Jon é inteligente e soube que tinha de melhorar a sua conduta", contou Tim, em declarações reproduzidas pelo jornal espanhol El Mundo, lembrando um castigo aplicado ao jovem golfista (subir e descer os 98 degraus da bancada do estádio Sun Devil) após um ataque de fúria num torneio.

"Daí para cá até a mim me custa acreditar o quanto e quão depressa evoluiu", diz Tim Mickelson sobre Jon Rahm, o prodígio nascido no ano em que outro espanhol, José María Olazábal, ganhou o seu primeiro Masters (1994) e que começou a frequentar os greens, em miúdo, porque o seu pai tinha como ídolo Seve Ballesteros, o primeiro europeu a ganhar em Augusta, em 1980. Agora, quase 40 anos depois, Rahm tenta tornar-se o terceiro espanhol a vestir o exclusivo casaco verde com que sonham todos os golfistas. Com essa motivação adicional: se o conseguir este ano, será apenas o segundo rookie a fazê-lo na história do Masters.

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