"João Sousa tem valor para subir ainda mais no ranking"

O norte-americano Jim Courier, antigo número 1 do mundo, elogia o tenista português e o torneio que tem início amanhã

A segunda edição do Millennium Estoril Open tem início amanhã, no Clube de Ténis do Estoril - durante o fim de semana jogam-se os qualifyings -, estando a final agendada para 1 de maio. O francês Jo-Wilfried Tsonga, número 7 do ranking, é o cabeça de cartaz, num torneio onde vão também marcar presença outros candidatos, casos dos franceses Gilles Simon (18.º) e Benoit Paire (22.º) e do bad boy australiano Nick Kyrgios (20.º)

Para o público português a principal atração será João Sousa. O atual n.º 34 do mundo procura limpar a imagem deixada na edição do ano passado, quando foi afastado logo na primeira ronda pelo português Rui Machado. No Estoril, o melhor tenista português irá tentar aproximar-se das cem vitórias no circuito ATP - atualmente tem 94.

Sousa, que ainda recentemente foi elogiado por Novak Djokovic (quando mediu forças e perdeu com o sérvio no Masters 1000 de Miami), em março, é atualmente um jogador muito respeitado no circuito.

Jim Courier, antigo número 1 do Mundo, esteve esta semana em Portugal a participar numa iniciativa solidária e falou ao DN do tenista português: "Já tive a oportunidade de ver vários jogos do João. É um grande jogador. Não gosta muito de ficar a defender e prefere atacar. Isso é excelente para quem quer vingar no ténis e ser um dos melhores."

E o João pode ser um deles? "Claro que sim, tem grandes características: é rápido, lê bem o jogo e mesmo diante de jogadores mais conceituados obriga-os a dar tudo. Tem valor para subir ainda mais no ranking", disse o norte-americano à margem de uma ação de solidariedade da Action, de auxílio a refugiados, campanha que Courier apoia: "É muito triste ver as imagens que passam na televisão. Todos tentamos ajudar e acredito que com o mundo a apoiar este problema poderá ter uma solução."

Jim Courier, atualmente com 45 anos, chegou a número 1 do mundo em 1992, ano em que venceu o Open da Australia e Roland-Garros, e fez parte de uma geração de tenistas em que figuravam nomes como Agassi e Pete Sampras.

O antigo tenista nunca teve a oportunidade de jogar no Estoril, mas conhece o torneio português. "Federer jogou no Estoril? Dá ainda mais valor ao que salientei. Os diretores destes torneios sabem que para convencer um tenista desse gabarito não pode ser apenas com prémios monetários. Tem de estar tudo muito bem organizado, a competição tem de ser forte. E foi sempre isso que ouvi falar do Estoril Open. Gosto muito de Portugal e sempre ouvi muitos elogios ao Estoril Open, à sua organização e competitividade. É um torneio ideal para preparar as principais competições, como por exemplo Roland-Garros", elogiou.

Olhando para o quadro principal do torneio português há um jovem que lhe chama atenção e que pode aproveitar para apurar a forma e surpreender depois em Roland-Garros. "Nick Kyrgios tem o jogo ideal, agressivo, enérgico e tem a capacidade atlética necessária para agitar as coisas como já fez no passado, em Wimbledon e na Austrália", defendeu o antigo número 1 mundial, revelando que o japonês Kei Nishikori é o favorito, atrás de Djokovic, a vencer na terra batida de Paris, que ele conquistou em 1991 e 1992.

Jim Courier chegou a ser treinado por um português - Sérgio Cruz. "Aprendi a gostar do vosso país, tem sempre condições atmosféricas agradáveis. Quando jogava ténis e passava muito tempo na Europa, Portugal era um dos países onde gostava de passar alguns dias", confessou o ex-tenista, que além de uma academia da modalidade dedicou-se ao golfe: "Um desportista nunca pode estar parado e o golfe sempre foi uma modalidade que me atraiu."

Depois de se ter afastado do ténis profissional aos 30 anos - venceu quatro Grand Slams , dois em Roland-Garros e outros dois no Open da Austrália -, Jim Courier começou a trabalhar como comentador da modalidade nas televisões americanas e na britânica Channel ITV.

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