Volvo Ocean Race "voa" para um modelo de competição permanente

O britânico Mark Turner, CEO da Volvo Ocean Race, anunciou hoje em Gotemburgo a evolução que vai marcar os próximos dez anos da prova.

A Volvo Ocean Race (VOR), a maior regata de volta ao mundo, vai deixar de ser um evento que se realiza apenas de três em três anos para passar um processo permanente. Para já, cada equipa deixará de ter apenas um barco para passar a ter dois: um para as etapas oceânicas, outro para as regatas costeiras (in port races). Os atuais VOR65 - um veleiro monocasco convencional de 65 pés (20 metros) - vão fazer a sua última volta ao mundo na edição da regata que iniciará em outubro próximo em Alicante, Espanha.

Depois serão substituídos por um monocasco mais pequeno, de 60 pés, (18,3 metros) mas muito mais rápido, dado que estarão equipados com "foils" (os patilhões laterais retráteis cujo efeito hidrodinâmico é o de içar o casco acima da água, diminuindo-lhes o atrito e assim aumentando-lhes a velocidade. Estima-se que a velocidade máxima poderá ir aos 40 nós).

As tripulações serão mais pequenas (sete velejadores no máximo, as atuais podem ir aos onze), mantendo-se em vigor as regras que incentivo a constituição de tripulações mistas. Os novos barcos, que serão construídos em Itália, começarão entregue às equipas concorrentes a partir de janeiro 2019 e o objetivo é diminuir o ciclo da VOR. Atualmente ocorre de três em três anos, a organização quer que passe a ser de dois em em dois anos. É possível, assim, que a edição da regata a seguir à próxima não comece portanto em 2020 mas sim em 2019.

O barco pode ser rapidamente convertido num veleiro manobrado apenas por um ou dois velejadores de modo a poder participar noutras regatas de volta ao mundo que têm essas características (a Barcelona World Race ou a Vendée Globe, corridas de circum-navegação sem paragens nem assistência). É esta polivalência do novo barco que poderá dar às equipas um carácter mais permanente, para lá do evento principal.

Além do mais, a organização quer erguer em diversas cidades pelo mundo fora academias de formação, apostando, por exemplo, em possibilitar a transição de velejadores olímpicos para a vela oceânica. A VOR associou-se ainda à World Sailing (a organização mundial que tutela a modalidade) para testar já nos próximos Jogos Olímpicos uma classe de vela oceânica.

A outra mudança consistirá na construção de um segundo barco para as regatas costeiras que animam a VOR quando esta está parada em portos. Atualmente, é o mesmo barco, o VOR 65, que faz as duas coisas, as etapas oceânicas e as in port races. Doravante, haverá um barco específico só para as corridas costeiras, um cataramã (barco de dois cascos). Também aqui será introduzida a tecnologia dos "foils" (que começou a generalizar-se precisamente através de catamarãs, no caso da Taça América, em 2013). O barco terá entre dez a 15 metros - e ainda não está desenhado (o processo vai-se iniciar agora).

A Volvo Ocean Race pretende ainda ensaiar novos trajetos para a regata - mas mantendo-se sempre centrada na sua razão de existir: uma corrida de barcos à vela à volta do mundo e onde os mares do sul são o "core business". Uma ambição é que um dia dentro da competição haja uma etapa que seja pequena volta ao mundo, pelos paralelos mais a sul, circum-navegando o Antártico, com partida e chegada à Nova Zelândia. Também é possível que daqui a uns anos a regata parta de outros continentes que não a Europa.

Turner anunciou ainda que os atuais VOR65, depois de desativados, serão colocados ao serviço de um outra competição oceânica organizada pela Volvo Ocean Race e designada Global Team Challenge. Ou seja, regatas com tripulações mistas de profissionais e amadores sendo os amadores escolhidos pelas empresas sponsors de cada barco e havendo um objetivo de formação no campo da liderança e gestão de equipas. As condições de cada regata serão quase iguais às regatas "a sério".

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