"Vai ser um verão muito triste, os italianos vivem para o futebol"

Cristiano Piccini fala ao DN sobre o afastamento dos transalpinos do Mundial da Rússia. Lateral-direito do Sporting pede mais oportunidades para o jovem jogador italiano

Cristiano Piccini, defesa-direito do Sporting, ainda está incrédulo com a ausência da Itália do Mundial 2018. Menos de 24 horas depois da qualificação da Suécia, o futebolista leonino falou ao DN sobre o afastamento da squadra azzurra no âmbito de uma entrevista que vai ser publicada na íntegra na edição do DN do próximo domingo.

"Posso dizer que foi uma grande desilusão, não foi bonito. Uma desilusão mesmo. A Itália e o seu povo vivem para o futebol, e sem a seleção no Mundial vai ser um verão muito triste", referiu Piccini ao DN, que não dá certezas mas aponta uma das possibilidades para a primeira ausência da Itália num Mundial em 60 anos.

"A verdade é que estou há quatro anos fora de Itália e não sei dizer em concreto o que se está a passar. Penso que uma das razões passe pela preferência dada ao jogador estrangeiro em detrimento do futebolista italiano. Lembro-me do meu caso. Fiz o meu percurso nos escalões jovens, mas depois o estrangeiro tinha sempre um pouco mais de oportunidades precisamente porque era estrangeiro. E isso reflete-se. Saí da segunda equipa da Fiorentina, a equipa Primavera, e fui jogar para o terceiro escalão, depois para o segundo e a seguir para uma equipa pequena da série A. E nunca tive uma grande oportunidade em Itália. Tive de ir para outro país para jogar numa Liga principal, primeiro no Bétis e depois no Sporting. Esta pode ser uma razão. Mas podem ser muitas outras coisas a estar na base deste resultado", disse.

Após o encontro com a Suécia ficou a saber-se que quatro pesos--pesados não vão voltar a jogar com as cores da seleção italiana. A começar por Buffon, o mítico guarda-redes da Juventus. Mas também os centrais Barzagli e Chiellini e ainda De Rossi, que se recusou a entrar na partida com os nórdicos, vão dar os seus lugares aos mais novos.

Piccini vê na decisão deste quarteto uma boa oportunidade para o surgimento de novos valores. "Creio que vão sair da seleção campeões de um nível altíssimo, mas também acredito que há jogadores e jovens importantes, veremos como vão superar as expectativas", sustenta o atleta de 25 anos que não tem problemas em revelar que anseia pela chamada à seleção do seu país, principalmente depois da exibição realizada em Turim diante da Juventus, muito elogiada pela crítica italiana.

"Com certeza que espero vir a contar para o próximo selecionador, mas as pessoas do futebol, diretores e treinador, preferem observar o que têm a observar com os seus olhos do que com os olhos da comunicação social. Se me convocarem no futuro, ficarei muito feliz", sublinha o internacional sub-21 italiano.

Ancelotti é o preferido para o cargo de selecionador

A Federação Italiana de Futebol (FIGC) vai reunir-se hoje para analisar a eliminação da seleção do Mundial 2018 e tomar decisões para o futuro. Poucos duvidam que uma das primeiras medidas passará pela saída do selecionador Gian Piero Ventura - ou pelo próprio pé ou demitido. Aliás, em Itália, a discussão centra-se já sobre quem será o sucessor do treinador de 60 anos que estava no comando da squadra azzurra desde julho de 2016 e que que ficará na história como o técnico que não conseguiu apurar a seleção italiana para o Mundial - a última vez tinha sido em 1958.

Carlo Ancelotti, que está livre depois de ter sido demitido do Bayern Munique em setembro, parece reunir as preferências dos adeptos, isto tendo como ponto de referência uma sondagem realizada pelo jornal Gazzetta dello Sport - o técnico que tem no currículo três Ligas dos Campeões, além de um campeonato italiano e um inglês, soma quase 70% dos votos. Outros nomes ventilados para pegar na squadra azzurra são Massimiliano Allegri (AC Milan), Antonio Conte (Chelsea) e Roberto Mancini (Zenit), embora este trio esteja atualmente no ativo.

De acordo com a imprensa transalpina, a federação italiana já terá mantido contactos com Giovanni Branchini, empresário de Carlo Ancelotti, no sentido de saber qual a disponibilidade do técnico italiano, que desde que deixou o Bayern Munique têm recebido vários convites de clubes chineses e chegou a ser sondado para orientar a Croácia no Mundial 2018 (entretanto, Zlatko Dalic renovou contrato com a federação croata).

Na sequência da eliminação da Itália, o guarda-redes Buffon, de 39 anos, anunciou que vai abandonar a seleção, adiantando que outros companheiros - casos de Barzagli, De Rossi e Chiellini - poderiam seguir o mesmo caminho. De Rossi, inclusivamente, protagonizou um caso no jogo de segunda-feira com a Suécia, ao recusar-se a entrar por achar que o selecionador deveria apostar num avançado.

Relacionadas

Últimas notícias

Brand Story

Tui

Mais popular

  • no dn.pt
  • Desporto
Pub
Pub