Um dia "incrível" a coroar o ano dourado de Lampaert

Belga da Quick-Step completou redenção após um trauma algarvio, venceu a 2.ª etapa e chegou à liderança da Volta à Espanha

Uma queda na Volta ao Algarve de 2016 atrasou a afirmação de Yves Lampaert entre a elite do ciclismo mundial. Contudo, neste ano, após iniciar a redenção à porta de casa (na clássica Dwars door Vlaanderen), o belga da Quick-Step Floors começou a concretizar os sonhos adiados. E ontem chegou "ao grande momento da carreira": venceu a 2.ª etapa da Volta a Espanha e conquistou a camisola vermelha, símbolo de liderança da prova.

"Nem tenho bem consciência do que é liderar uma grande volta. É uma loucura para mim. Amanhã [hoje], estarei na primeira linha, na saída para a 3.ª etapa. É incrível...", disse Lampaert, quase beliscando--se, no final da tirada - 203,4 quilómetros entre Nîmes e Gruissan (no Sudoeste de França). O sonho tornou-se realidade após um dia atípico, em que não houve hipóteses de fuga e a Quick-Step Floors aproveitou da melhor forma os cortes no pelotão, nos quilómetros finais.

Depois da equipa belga assumir a dianteira, Yves Lampaert lançou--se para a vitória no derradeiro quilómetro, deixando para trás o italiano Matteo Trentin (seu colega) e o britânico Adam Blythe (Aqua Blue Sport). "Tínhamos planeado esperar pelos últimos dez quilómetros. Primeiro, o Niki (Terpstra) chegou ao topo, depois o Alaphilippe criou um pequeno grupo de fuga, e no final, antes da última rotunda, gritaram-me para dar tudo. Eu sabia que podia fazer um quilómetro assim rápido mas estou muito feliz por tê--lo levado até ao fim. É um grande momento na minha carreira", resumiu o especialista de contrarrelógio (campeão belga da disciplina).

De certa forma, Lampaert, de 26 anos, completou a redenção após o trauma sofrido em Portugal. A queda na Volta ao Algarve do ano passado provocou-lhe uma fratura no externo, roubando ao belga os primeiros meses da época. Recomposto, o ciclista da Quick-Step Floors só neste ano concretizou as expectativas que pairavam sobre ele.

Em março, Yves Lampaert venceu, em casa, a clássica Dwars door Vlaanderen ("através da Flandres") - "ganhei na minha cidade, diante do estádio do meu clube [Zulte-Waregem], a minha felicidade é total", disse, então. Depois, lançou-se para o título belga de contrarrelógio,que há muito ameaçava. E, agora, chegou ao maillot rojo da Vuelta - destronando o primeiro líder, o australiano Rohan Dennis (BMC).

A glória deverá, ainda assim, ser temporária. Hoje, com a 3.ª etapa - 158,5 quilómetros entre Prades Canigó (França) e Andorra-a-Velha -, a Volta a Espanha terá os primeiros despiques em alta montanha, com passagem pelos Pirenéus. Para já, o britânico Chris Froome, da Sky (9.ª da geral, a 21 segundos de Yves Lampaert), encabeça o lote de favoritos, embora ontem tenha perdido oito segundos para o italiano Vincenzo Nibali (Bahrain Mérida), que agora é 24.º, a 35 segundos do líder.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.