Um a um: saiba como jogaram Ronaldo e companhia

Ronaldo foi o melhor em campo. Moutinho e William Carvalho também se destacaram. Quaresma entrou e entusiasmou a seleção nacional

Cristiano Ronaldo - 10 (A figura do jogo)

Um jogo para a história, o auge ao serviço da seleção nacional. Uma exibição memorável diante da seleção do país onde se distinguiu nos últimos anos como o maior futebolista da história do melhor clube do mundo. Um penálti conquistado e transformado, um remate feliz facilitado por De Gea e um livre transformado na perfeição após ganhar a falta. Três golos em três remates à baliza, muitos duelos ganhos diante daqueles que são seus colegas e adversário e o impacto num grande palco. Hoje fala-se da exibição de Eusébio com a Coreia do Norte, dentro de 30 anos falar-se-á da de Ronaldo frente à Espanha.

Rui Patrício - 5

Não teve uma noite fácil. Sofreu três golos, mostrou algumas inseguranças e, sem que se possa dizer que tenha sido culpado, dá a ideia de que podia ter abordado melhor os lances do primeiro e do segundo golo espanhóis, sobretudo neste último.

Cédric - 5

Uma exibição sofrida, com pouco oxigénio para fazer algo mais do que defender. "Levar" com Isco, Iniesta e Jordi Alba não é tarefa fácil. Mostrou ainda pouco entendimento com Bernardo Silva, que tinha a missão de o ajudar a cobrir o lado direito da defesa.

Pepe - 5

Sofreu falta evidente de Diego Costa no primeiro golo, ganhou menos duelos do que se esperava, muito por culpa da mobilidade e imprevisibilidade hispano-brasileiro. Na retina ficou a qualidade do costume no passe longo, foi assim que começou, quase do nada, o segundo golo de Portugal.

José Fonte - 6

Pareceu ser mais réu do que vítima, pois mostrou melhor posicionamento do que os seus colegas de setor. Contudo, sempre que o ritmo ia para uma rotação mais elevada sentia dificuldades em acompanhar o andamento. Jogar na Liga chinesa tem as suas desvantagens...

Raphaël Guerreiro - 5

Mais confiante a atacar do que a defender, onde cometeu erros sem razão aparente. A sociedade que formou com Bruno Fernandes, no lado esquerdo, prometeu nos minutos iniciais, mas o facto de Portugal ter pouca bola não ajudou a dissipar se essa foi apenas uma primeira impressão.

Bernardo Silva - 4

Um jogo que lhe deve ter dado pouco ou nenhum prazer. É um jogador de posse, que se delicia com bola e sofre sem ela. Passou 69 minutos angustiado a mostrar disciplina tática e a ignorar o talento que Deus lhe deu.

João Moutinho - 7

Belo jogo do médio de 31 anos em especial na primeira parte e em particular sem bola. Há poucos jogadores que tenham tanta noção do espaço como o jogador do Mónaco, que "puxou" da sua experiência para superar os momentos de maior poderio do adversário.

William Carvalho - 7

Uma vontade declarada ainda de ser mais prático do que o costume. Mais intenso do que o normal nos duelos e bastante eficaz no passe longo. Foi um bocadinho abaixo quando a Espanha passou pela primeira vez para a frente do marcador, mas nunca perdeu o norte mesmo quando se pressentia que o empate era quase uma miragem.

Bruno Fernandes - 5

Bastante voluntarioso mesmo a jogar a médio-esquerdo, posição onde nunca alinhou na última época pelo Sporting. Envolveu-se no lance do primeiro golo, fez um passe de morte a Ronaldo, que resolveu oferecer o 2-0 a Gonçalo Guedes, e tentou sempre cumprir a missão destinada, mesmo que tivesse pouco a ver com as suas características. Saiu esgotado... física e mentalmente.

Gonçalo Guedes - 4

Podia ter saído em ombros pelo que ofereceu ao jogo e por dois lances em que esteve perto do 2-0. No primeiro falou mais alto a reverência ao capitão, no segundo não esperava o passe de Ronaldo. Ainda deixou a sua marca ao ser (mal) batido nas alturas por Busquets na jogada do 2-2.

João Mário - 6

Bela entrada em campo a querer ter bola, a querer resolver o problema que a equipa tinha em mãos. Posicionou-se atrás de Ronaldo e não se escondeu, chamou a si a responsabilidade.

Ricardo Quaresma - 7

Às vezes faz falta este bom egocentrismo do extremo do Besiktas. Ele entra em campo sem se importar com o adversário, a quem o olha de lado. É bom esse descaramento, mal entrou ganhou dois cantos e explicou aos defesas espanhóis que não podiam gritar vitória antes do tempo - e não é que ele tinha razão? Não é jogador para para os 90 minutos, e ele sabe-o, mas é preponderante nestas situações de aperto.

André Silva - 4

Mal entrou a Espanha apoderou-se da posse de bola. Mas deu tudo, com imensa alma, disputando todos os lances como se fossem os últimos.

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