Triplo salto feminino foi curto. Falta ver até onde voa Nelson na final

Patrícia Mamona e Susana Costa ficaram longe do pódio. Évora vai à luta pelas medalhas na quinta-feira

Desta vez, Patrícia Mamona e Susana Costa não foram felizes. "Há que saber lidar com a derrota e olhar em frente", afiança a primeira; "hoje sei o que posso fazer: com muito trabalho e dedicação, vou superar-me", promete a outra. Com 9.º e 11.º lugares na final, o triplo salto feminino foi curto para as ambições nacionais nos Mundiais de atletismo - que estão a decorrer em Londres (Reino Unido), até domingo - mas há outra esperança lusa na luta pelas medalhas na disciplina: Nelson Évora qualificou-se ontem para a decisão da prova masculina, que se realiza quinta-feira.

Ontem, o dia até começou bem para as cores portuguesas. Minutos depois de David Lima se apurar, in extremis, para as meias-finais de 200 metros (repescado, com o 23.º melhor tempo, 20,54 segundos), Nelson Évora voou para a final de triplo salto. O saltador, campeão mundial em 2007 e medalha de bronze na última edição, fez a 6.ª melhor marca, 16,94 metros, numa qualificação dominada por estado-unidenses e cubanos (Chris Bernard, Christian Taylor e Cristian Nápoles passaram a fasquia de apuramento direto - 17,00 - ao primeiro salto).

Contudo, minutos depois, Patrícia (9.ª) e Susana (11.ª) não foram felizes nem conseguiram dar seguimento aos bons registos da véspera (e das finais onde tinham competido juntas, como Europeus e Jogos Olímpicos do ano passado). Após um salto nulo na primeira tentativa de cada, cedo se percebeu que dificilmente conseguiriam acompanhar a pedalada da venezuelana Yulimar Rojas (14,91 metros), da colombiana Caterine Ibargüen (14,89) e da cazaque Olga Rypakova (14,77), que conquistaram ouro, prata e bronze respetivamente. Mamona não foi além dos 14,12, Costa ficou-se pelos 13,97 metros: ambos os registos foram insuficientes para que passassem à segunda ronda de três saltos, reservada às oito primeiras.

"O primeiro salto que fiz (nulo), deixou-me um bocadinho nervosa. Tentei jogar pelo seguro nos outros e o resguardo foi mais do que devia ser...", lamentou-se Patrícia Mamona, garantindo que leva uma lição dos Mundiais. "Aprende-se a perder. Eu aprendi que, se calhar, tenho de controlar os nervos e arriscar um bocadinho mais", notou.

Por sua vez, Susana Costa, traz de Londres uma lição de superação - a sua própria, ao fim de uma temporada em que foi fustigada por lesões. "Tive uma época muito difícil.. Quem segue o meu percurso, sabe que não foi fácil chegar até aqui...", recordou, emocionada. "Tive alguns problemas físicos, mal aqueci, mas tentei dar o melhor até ao fim. No último ensaio, com dores, fiz 13,97. Portanto, estou orgulhosa do meu trabalho", sublinhou.

Agora, resta às atletas do Sporting e do Benfica pensar no futuro. "Acho que este ano merecia um recorde pessoal, porque tenho sido uma atleta muito regular, muito consistente, acima dos 14 metros. Este não foi o meu dia, mas o meu dia há de chegar, espero que noutro campeonato", apontou Patrícia Mamona, já a pensar nos Europeus de ar livre de 2018 e nos próximos Mundiais. Já Susana Costa confessou sentir-se "completamente" renascida, após o martírio dos últimos meses: "Hoje sei o que posso fazer."

Esquecida a semidesilusão feminina (ainda assim, foi a primeira vez que Portugal teve duas atletas na final em Mundiais de ar livre), falta ver até onde Nelson Évora será capaz de voar na final masculina. Focado no objetivo de tentar regressar à ribalta, na nova fase da carreira (agora radicado em Espanha, sob orientação do treinador cubano Iván Pedroso), o saltador nascido na Costa do Marfim é mais parco em palavras - "fico sempre satisfeito por passar à final". A decisão, contra três norte--americanos e três cubanos (mais um naturalizado azeri), é a partir das 20.20 de quinta-feira.

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