Tensão na Volvo Ocean Race. Mastro parte-se antes da regata começar

O acidente ocorreu anteontem na Galiza, com o barco da Mapfre. Ninguém se magoou. Reparação será feita em Lisboa, em duas semanas

A equipa espanhola Mapfre anunciou há semanas que voltará a estar presente na edição deste ano da Volvo Ocean Race (VOR) - e desta vez com a ambição assumida de vencer - mas as coisas começaram mal.

Treinando na quinta-feira ao final da tarde ao largo de Pontevedra, Galiza, com ventos de apenas 25 nós (46 km/h) e ondas de quatro metros, o mastro do barco partiu-se. Ninguém se aleijou e o barco regressou a motor a Sanxenxo. No domingo, o veleiro já estará em Lisboa, no estaleiro da VOR na doca de Pedrouços, para ser reparado. O cronograma da equipa prevê que o veleiro volte ao mar no dia 14, recomeçando no dia seguinte a treinar. E com um mastro novo - como aliás se previa desde o início que viesse a ter, mesmo antes deste acidente.

Para Sanxenxo rumaram imediatamente responsáveis do estaleiro em Lisboa da VOR e da Southern Spars, a empresa neozelandeza que faz os mastros (todos iguais) que equipa a frota de (em princípio) oito barcos que no dia 22 de outubro partirão para mais uma edição desta regata de volta ao mundo.

Para já, procede-se à autópsia do problema, tarefa que prosseguirá em Pedrouços. Não se sabe se o problema foi do mastro em si ou dos cabos que prendem esta peça ao convés do veleiro. Mas sabe-se que é no mínimo uma anormalidade que um mastro parta perante ventos de apenas 25 nós.

Sabe-se também que na frota da VOR todas as peças são rigorosamente iguais de barco para barco (do casco à sanita de bordo, passando pelo mastro, convés, velas, cabos, eletrónica, motor, etc.), significando isso que um problema numa peça de uma das embarcações pode significar um problema generalizado em toda a frota.

No máximo entrarão oito barcos em competição, mas só quatro (ou cinco) terão mastros novos - os outros serão equipados com mastros que já fizeram a volta ao mundo na edição da VOR de 2014-2015, ou seja, mastros da mesma colheita daquele que agora se partiu ao largo da Galiza.

Além do mais, a rota da prova foi redesenhada, prevendo-se uma dureza muito maior para os materiais e para tripulações, visto que haverá muito mais mar do Sul a percorrer. Na edição 2014-15, a ligação entre a Cidade do Cabo e a China foi feita com paragem em Abu Dhabi (golfo Pérsico) - ou seja, navegando na parte mais tranquilas do Índico e do Pacífico. Agora a mesma ligação será feita rodeando a Austrália pelo Sul (com paragem em Melbourne), percurso muito mais violento.

Antes de ir para Sanxenxo, o barco da equipa espanhola esteve envolvido no estaleiro de Lisboa da VOR num processo de revisão geral que envolveu a peça agora quebrada.

Na edição 2014-2015 só um mastro se partiu, do Dongfeng, quando fazia a etapa mais dura da prova, a que liga Aukland (Nova Zelândia) a Itajaí (Brasil).

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