Suspense e emoção na chegada a Lisboa da maior regata do mundo

Falta de vento transformou fim da primeira etapa numa lotaria. Houve quem largasse a âncora para não ser arrastado. Velejadores portugueses em 4º e 7º lugar.

Lisboa mostrou-se, como sempre, caprichosa a receber, sábado, a frota da Volvo Ocean Race (VOR), a maior regata de circum-navegação do globo.

Com ventos muito fracos ou mesmo inexistentes, as equipas, a terminar a primeira etapa da regata e vindas de Alicante, Espanha, progrediram pelo Tejo até Pedrouços a passo de caracol.

Junto à praia de Carcavelos, uma equipa esteve quase a largar a âncora para impedir o barco de andar para trás, empurrado pelas correntes. Outra, teve mesmo de o fazer, em Algés, a metros da linha de chegada, para não acabar encalhada.

Venceu o Vestas 11th Hour Racing, do skipper norte-americano Charlie Enright, com um desempenho imperial. Pouco depois de Alicante, Enright - que tem consigo um dos mais experientes navegadores da atualidade, o britânico Simon Fisher, vencedor da edição 2014-2015 da VOR - conquistou a liderança da frota e nunca mais a largou até ao fim. Fez os quase 3500 quilómetros do percurso, que incluiu uma incursão no Atlântico até Porto Santo em pouco mais de 6 dias.

A equipa teve uma chegada sem grandes sustos. O mesmo já não aconteceu com os seguintes. Os espanhóis do Mapfre - supercandidatos à vitória final, sob a liderança do basco Xabi Fernández, pela primeira vez "skipper" a tempo inteiro - chegaram à barra de Lisboa com quase 20 km de vantagem sobre os terceiros, da Dongfeng. Uma vantagem que, sem vento, começaram assustadoramente a perder. Os espanhóis conseguiram segurar o segundo lugar mas com apenas 15 minutos de vantagem sobre a equipa do francês Charles Caudrelier (também fortemente candidata à vitória).

A seguir, nova disputa, entre o 4.º (AkzoNobel) e o 5.º (Sun Hung Kai/Scallywag, do australiano David Witt). Este tentou, já no Tejo, ultrapassar a equipa do holandês Simeon Tienpont e tanto se aproximaram que bateram com o patilhão no fundo, tendo de largar ferro para evitar desastres maiores.

O AkzoNobel - equipa a braços com uma grave crise interna, com o skipper holandês Tienpont despedido a uma semana do início da VOR e readmitido por ordem do tribunal a dois dias da partida - acabaria por assegurar o 4.º lugar, ficando o Scallywag a seguir na tabela. A bordo do AkzoNobel estava o velejador português António Fontes, emprestado à última hora em Alicante pelo Scallywag (onde era suplente). Fontes tornou-se assim o primeiro português na história de mais de 40 anos desta regata a terminar uma etapa em Lisboa.

A última batalha foi a mais disputada. O Team Brunel, capitaneado pelo veteraníssimo velejador holandês Bouwe Bekking - sete voltas ao mundo, agora a iniciar a 8ª - cruzou a meta com apenas sete minutos de vantagem sobre o barco de bandeira portuguesa Turn the Tide on Plastic, de cuja tripulação fez parte, nesta etapa, o português Bernardo Freitas. Foi o fim de uma batalha entre os dois que já durava há dias, sempre encostados um ao outro.

O recinto da VOR em Pedrouços abrirá ao público terça-feira. Para dia 3 está prevista a regata costeira no Tejo. Dia 5 a frota partirá para a segunda etapa, Lisboa-Cidade do Cabo (África do Sul).

Equipa/Tempo/Pontuação

1. Vestas/11th Hour Racing/6 dias 2h 8m 45s/ 8 pontos
2. MAPFRE/ 6d 4h 42m 30s/ 6 pontos
3. Dongfeng Race Team/ 6d 4h 57m 48s/ 5 pontos
4. Team AkzoNobel/ 6d 6h 11m 56s/ 4 pontos
5. Sun Hung Kai/Scallywag 6d 6h 57m 44s/ 3 pontos
6. Team Brunel/ 6d 8h 29m 00s/ 2 pontos
7. Turn the Tide on Plastic/ 6d 8h 36m 52s/ 1 ponto

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