Sub-19 em mais uma final e à procura de um lugar na história

Depois de terem sido campeões da Europa de sub-17, 11 dos jogadores estão em condições de serem bicampeões em grandes competições pelas seleções jovens. A final é hoje com a Inglaterra

Luís Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto e Paulo Sousa, entre outros, são os primeiros nomes que surgem imediatamente na memória quando se fala em geração de ouro do futebol português, pois foram alguns dos heróis dos Campeonatos do Mundo de sub-20 conquistados em Riade 1989 e Lisboa 1991, ainda hoje os títulos mais marcantes dos escalões jovens lusos. Há no entanto uma nova geração a ameaçar esse estatuto: a seleção portuguesa de sub-19, que hoje defronta a Inglaterra na final do Campeonato da Europa, que se disputa em Gori, na Geórgia (17.00, RTP1).

Sob o comando de Hélio Sousa, que como jogador venceu o Mundial de Riade em 1989, estes miúdos podem hoje também fazer história, pois 11 dos convocados sagraram-se campeões da Europa de sub-17 há um ano, com o mesmo treinador: Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Queirós, Diogo Leite, Gedson Fernandes, Domingos Quina, Florentino, Rafael Leão, Mesaque Dju, João Filipe e Miguel Luís. Luís Maximiano e José Gomes (o melhor jogador no Europeu de sub-17), foram campeões há um ano, mas ficaram de fora do Europeu de sub-19, devido a lesão.

Para isso será necessário ultrapassar a Inglaterra, uma seleção forte que neste Europeu venceu Alemanha, Holanda e Bulgária na fase de grupos, impondo-se depois à Rep. Checa nas meias-finais.

Portugal pode não ter mostrado um futebol de encantar neste Campeonato da Europa. Mas a verdade é que chegou sem espinhas à final de hoje. A fase de grupos principiou com um difícil triunfo com a anfitriã Geórgia, por 1-0 (golo de Rui Pedro, de penálti) e prosseguiu com uma vitória por 2-1 diante da República Checa (marcaram Rui Pedro e Mesaque Dju), que garantiu a presença nas meias-finais. O jogo com a Suécia serviu apenas para cumprir calendário, tendo terminado empatado a dois golos (Rafael Leão e João Filipe) e nas meias-finais Portugal bateu a Holanda por 1-0 (Gedson Fernandes).

Uma vitória esta tarde terá ainda mais sabor depois das dificuldades que Portugal sentiu para estar presente nesta fase final. À partida para a última jornada da Ronda de Elite, as quatro equipas (Portugal, Polónia, Turquia e Croácia) estavam empatadas, com três pontos. Valeu o triunfo luso diante da Polónia (3-1), depois de estar a perder, e a ajuda da Croácia, que empatou com a Turquia, e que em caso de vitória seria qualificada.

Os craques e outras figuras
O defesa-direito Diogo Dalot (FC Porto), o médio Gedson Fernandes (Benfica) e o avançado Rui Pedro (FC Porto) são as três grandes figuras desta seleção. O primeiro realiza a quarta fase final no espaço de um ano (!), depois das presenças nos Campeonatos da Europa de sub-17 e sub-19 e no Campeonato do Mundo de sub-20. Lateral de grande projeção ofensiva e capacidade técnica, está a ser seguido por Barcelona e Real Madrid.

Gedson Fernandes, autor do golo na meia-final com a Holanda, é apontado como o novo Renato Sanches, pois alia uma boa capacidade técnica a uma invejável condição física. Atua a 6 ou a 8 e renovou em janeiro com os encarnados até 2022. Saltou para a ribalta em novembro do ano passado, depois de um golo apontado ao Besiktas na Youth League... antes do meio-campo!

O avançado Rui Pedro é o jogador mais conhecido desta seleção e um dos dois que já foi utilizado a nível sénior no clube que representa (o outro foi Domingos Quina do West Ham). O jovem avançado viveu um momento inesquecível ao marcar o golo da vitória dos dragões com o Sp. Braga, em dezembro. Alinhou ainda em mais oito desafios no campeonato e um na Liga dos Campeões, tendo ainda marcado ao Rio Ave.

Além deste trio, na equipa de Hélio Sousa não faltam existem outros jogadores de enorme potencial, como o guarda-redes Diogo Costa (FC Porto), o central Diogo Queirós (FC Porto), os médios Rui Pires (FC Porto) e João Filipe (Benfica) e o avançado Mesaque Djú (Benfica), isto numa seleção que vale essencialmente por um coletivo muito forte e um excelente espírito de grupo.

Na senda de sete nomes
Em caso de vitória na final desta tarde, haverá 11 jogadores portugueses duplamente campeões em grandes competições nos escalões jovens, algo que até hoje só aconteceu com João Vieira Pinto, campeão do mundo de sub-20 em 1989 e 1991, Peixe, Abel Xavier, Figo, Tulipa e Gil (campeões da Europa de sub-19 em 1989 e de sub-20 em 1991) e ainda Hugo Leal, campeão da Europa de sub-16, em 1995 e 1996.

Este último recordou ao DN essas duas inesquecíveis competições. "Lembro-me como se fosse hoje, em especial da primeira. Fui chamado com apenas 14 anos, à última da hora, para substituir um colega que se tinha lesionado. Fiz apenas um jogo em toda a competição, mas chegou para ser campeão da Europa! Penso que na final vencemos por 2-0 a Espanha, com golos do Zeferino e do Vargas [na verdade este último não marcou, mas sim Vítor Pereira]", recorda, acrescentando: "Um jovem de 14 anos estar fora de Portugal, num ambiente semiprofissional... foi algo incrível!"

Quanto à segunda conquista, recorda que a seleção nacional "tornou fácil o percurso até à final, com vitórias por margens dilatadas, nomeadamente um 3-0 à Grécia e um 5-1 à Croácia". Já a final não foi nada fácil, com Hugo Leal a reconhecer que o triunfo por 1-0 diante da França "foi um pouco lisonjeiro".

Hugo Leal viria ainda a estar na final do Campeonato da Europa de sub-18 no ano seguinte, dessa vez perdida para a França, por 1-0. "Curiosamente, até merecíamos mais ter ganho esse jogo do que o do ano anterior, mas acabámos por ser derrotados no prolongamento, com o golo de ouro", recorda.

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