Sharapova, a mal-amada, reergue-se no US Open

Russa alcançou primeira vitória num major desde que esteve suspensa por doping, destruindo a candidatura de Simona Halep a n.º1

"Pensei que era apenas mais um dia, mais uma oportunidade, mais um encontro, mas foi muito mais do que isso." Foi com os olhos húmidos e um sorriso nos lábios que Maria Shaparova celebrou a primeira vitória num torneio do Grand Slam, ao fim de 19 meses de ausência. A tenista russa, a mais mal-amada do circuito mundial, reergueu-se no US Open, ao afastar Simona Halep (2.ª do ranking e maior candidata à liderança) na 1.ª ronda do torneio.

Sharapova, de 30 anos, foi a grande protagonista da primeira jornada do major nova-iorquino (concluída na segunda-feira à noite, madrugada de ontem em Portugal). Graças a um wildcard (convite) oferecido pela organização, competiu pela primeira vez num torneio do Grand Slam, após cumprir uma suspensão de 15 meses por uso de doping (meldonium). E voltou em alta, destruindo mais uma candidatura de Simona Halep a n.º1 mundial.

A tenista russa, que tem no currículo cinco torneios do Grand Slam e 21 semanas como líder do ranking mundial (espaçadas entre 2005 e 2012), venceu a romena, pelos parciais de 6-4, 4-6 e 6-3, ao fim de duas horas e 44 minutos. E comoveu-se perante a ovação do público que lotou o court Arthur Ashe. "Por vezes, perguntamo-nos porque fazemos tantos esforços para continuar a jogar. Estas emoções e esta noite justificam tudo", sublinhou.

Os aplausos das bancadas contrastam com a antipatia com que o regresso da tenista russa foi recebida pela generalidade dos seus pares. Depois de cumprido o castigo, Sharapova deixou de ter um ranking que permitisse a entrada direta em qualquer torneio (agora, é a 146.ª da tabela WTA). E o facto de algumas organizações lhe oferecerem convites foi mal acolhido pelas rivais. "Ajudar com um wildcard uma atleta que esteve suspensa por doping não é bom exemplo para os jovens jogadores", chegou a criticar Simona Halep.

Ao estatuto de mal-amada juntaram-se as lesões (na coxa e antebraço). Desde o retorno à competição, em abril, Maria Sharapova só fez nove partidas (seis vitórias, três derrotas) - teve como melhor prestação a presença nas meias-finais do torneio de Estugarda (Alemanha), logo na estreia. E, depois de lhe ser negada a entrada por convite em Roland Garros e Wimbledon, só em Nova Iorque pôde regressar à ribalta de um torneio do Grand Slam.

Esse longo e pedrogoso caminho é passado - "não acho que seja ocasião para falar dos maus momentos", disse Sharapova. Agora, a tenista russa prefere agradecer aos que a levaram à redenção - a primeira vitória num major desde janeiro de 2016 (então, chegou aos quartos-de-final do Open da Austrália). "O ténis é um desporto individual mas, desde que regressei, sinto que faço parte de uma equipa. Não estou a ganhar apenas por mim mas por todos os que resistiram junto a mim. É algo muito especial", sublinhou.

"Dei tudo o que tinha, mas ela foi melhor. Bateu algumas bolas tão bem que nem consegui tocar-lhes", lamentou, por sua vez, Simona Halep. Pela terceira vez este ano, a tenista romena tinha a liderança do ranking à mercê e desperdiçou a oportunidade. Agora, só pode ser n.º1 se (em simultâneo) Mugurza não atingir a 3.ª ronda, Svitolina não passar dos quartos-de-final, Pliskova não for finalista e Wozniacki, Kuznetsova e Venus Williamns não vencerem o US Open - Johanna Konta, outra das oito mulheres que aspiravam à liderança do ranking no início do torneio, já está fora de corrida, após ter sido afastada por Aleksandra Krunic.

Quanto a Shaparova - que hoje enfrenta, na 2.ª ronda, a húngara Timea Babos (59.ª) -, promete continuar no caminho da redenção: "Por baixo deste vestido preto de cristais Swarovski [o seu traje para os jogos noturnos do US Open], está uma rapariga com muita força, que não vai a mais lado nenhum", rematou.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

Diário de Notícias

A ditadura em Espanha

A manchete deste dia 19 de setembro de 1923 fazia-se de notícias do país vizinho: a ditadura em Espanha. "Primo de Rivera propõe-se governar três meses", noticiava o DN, acrescentando que, "findo esse prazo, verá se a opinião pública o anima a organizar ministério constitucional". Explicava este jornal então que "o partido conservador condena o movimento e protesta contra as acusações que lhe são feitas pelo ditador".