Senegal e Colômbia: rivais, mas só até ao final do jogo

Os senegaleses queriam levar África mais longe neste Mundial. Ficaram pelo caminho, mas acabaram o jogo a festejar com os colombianos

Isto foi demasiada pressão para Mattar Senne, Masse Diagne e outros tantos senegaleses que sofreram pela sua seleção no Terreiro do Paço, em Lisboa. É que não foram só eles torcer pelo Senegal. "África inteira esteve com os olhos postos neste jogo", avisa Masse. Afinal, tratava-se da única oportunidade de uma equipa africana seguir em frente.

O assunto é sério, "decisivo", aliás, como diz Ronaldo Costa, guineense, que veio do Barreiro para apoiar a equipa do Senegal: "Era um sonho, um grande sonho, se chegássemos às finais." Mas ficaram por aqui, deixando os adeptos momentaneamente desanimados. "Foi por pouco - desabafa Mattar -, mas a festa vai continuar".

Não é todos os dias que o Mundial acontece e já que foi a Colômbia a passar, o remédio é fazer a festa com os adversários. Senegaleses e colombianos são adeptos que jogaram em campos opostos, mas têm algo em comum: adoram de tirar fotos, seja entre eles, seja com os rivais. "Estamos aqui não só pelo futebol, mas também para conhecer pessoas de outros cantos do mundo", diz Adriana Zea, adepta da Colômbia a viver na cidade de Bucaramanga.

Durante o jogo, Senegal e Colômbia foram ilhas separadas no relvado da Arena Portugal. Adeptos trajados de amarelo para um lado e adeptos verdes para o outro. Nos intervalos e no final da partida, as ilhas juntaram-se, dando por terminadas as rivalidades. E a festa acabou com os dois lados abraçados para a fotografia.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.