Salah, a estrela egípcia do Liverpool, confessa admiração por Brahimi

Avançado diz que goleada da primeira mão (5-0) não reflete diferença entre as duas equipas e elogia a pele africana do dragão

Em Anfield Road, Mohamed Salah é o homem de quem (mais) se fala. Aliás, não só no Liverpool como também no campeonato inglês, onde é o melhor marcador, lado a lado com Harry Kane, do Tottenham. O egípcio foi um dos que fizeram o gosto ao pé nos 5-0 do Dragão, na primeira mão destes oitavos-de-final, mas a goleada fora de portas não o faz menosprezar o valor de um FC Porto que considera ser "capaz de criar dificuldades" nesta noite. Em declarações ao DN, Salah revela mesmo admiração pelo toque africano do dragão nesta época - de Aboubakar a Marega (ausente hoje por lesão), com uma menção especial para o argelino Brahimi.

"É muito importante para mim representar não só o meu país, mas também um continente como África. Estou orgulhoso disso. Tenho certeza de que os africanos do FC Porto também. Eles são três grandes jogadores, Marega e Aboubakar marcam muitos golos e Brahimi é um talento. Conheço-o há muito tempo e é um dos jogadores mais perigosos. Temos de parar todos os jogadores do FC Porto, mas Brahimi é especial", disse Salah através da assessoria de imprensa do Liverpool, destacando também, segundo o próprio, um outro "símbolo" do futebol mundial.

"Iker Casillas é um dos melhores guarda-redes de sempre. Será um privilégio voltar a jogar contra ele, um dos maiores símbolos deste desporto nos últimos anos. Marcar-lhe um golo? Se tiver a oportunidade vou tentar fazê-lo, claro, mas o mais importante é que o Liverpool vença, seja com um golo meu ou de outro companheiro", referiu Salah, cuja utilização ainda não é certa, embora Klopp já tenha anunciado que não vai alterar muita gente no onze, apesar dos 5-0 da primeira mão, por respeitar o FC Porto e a competição.

O goleador egípcio salienta que o desnível no resultado do jogo no Dragão não traduz a diferença entre as equipas. "O jogo correu muito bem para nós, estudámos a equipa, aproveitámos da melhor maneira as oportunidades que tivemos, mas sabemos também que esta não é a diferença entre as equipas. O FC Porto é uma equipa muito boa e é isso também que o treinador nos diz todos os dias, mesmo após a vitória lá. Não imagino que não iremos seguir em frente, mas se não tivermos cuidado também nos poderão surpreender", confessou o africano, que rasga de elogios o treinador Jurgen Klöpp.

"Tem sido muito bom trabalhar com ele. Foi o primeiro treinador a colocar-me a jogar mais perto da baliza e do ataque. Aliás, disse-me desde o início que tinha de estar sempre mais perto do ataque e isso funcionou. Identifico-me com o seu estilo de jogo, ofensivo, e talvez seja por isso que as coisas estão a correr muito bem na presente temporada", salientou o futebolista de 25 anos.

Salah tem formado um poderoso tridente ofensivo ao lado do brasileiro Firmino e do senegalês Sadio Mané, isto após a saída do também brasileiro Philippe Coutinho, que rumou ao Barcelona em janeiro passado. Mesmo com a eliminatória bastante favorável aos reds, a imprensa inglesa diz que o treinador alemão poderá manter o tridente nesta segunda mão, mas, ainda que Klöpp não o faça, Salah diz que haverá outros futebolistas capazes de os substituir na frente de ataque.

"É muito fácil jogar com grandes jogadores e atualmente Firmino e Mané são dos melhores do mundo nas suas posições. As coisas têm resultado entre nós, mas o Liverpool tem outros grandes jogadores que também podem fazer a diferença contra o FC Porto", concluiu o futebolista africano, que foi fundamental para que o Egito possa voltar a marcar presença num Mundial, na Rússia, nos próximos meses de junho e julho.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.