Rosa Mota e Fernando Gomes, atores por um fim de semana

Maratonista e goleador subiram ao palco do Rivoli no Porto para reviverem momentos marcantes das respetivas carreiras

As cortinas abrem-se e Rosa Mota surge em palco, atrás de uma tela semi-transparente que projeta um grande plano do seu rosto, filmado por uma câmara plantada mesmo à sua frente. "Em nome da Rosa", murmura. "É quase como se já não fosse preciso dizer mais nada. Basta este nome para o público bater palmas", sugere o encenador Pedro Penim, como se tivesse acabado de descobrir a pólvora. A descrição é de um breve excerto de uma das cenas mais marcantes da peça "Ícones do Desporto", que leva Rosa Mota e o "bi-Bota de Ouro" Fernando Gomes ao palco do Teatro Rivoli, no Porto. Por um fim de semana, estas duas figuras do desporto e da cidade aceitaram vestir a pele de atores, numa criação que junta ficção e história para evocar os seus maiores feitos.

A peça está dividida em duas partes: "O nome da Rosa" (por Pedro Penim e Hugo van der Ding, com a presença da antiga maratonista) e "Bibota Douro" (por Miguel Loureiro, com a aparição do célebre goleador do FC Porto). Com os protagonistas a representarem-se a si mesmos, a narrativa explora o seu próprio processo de criação. Mais do que uma peça, é uma meta-peça. "Como é que se conta a história da Rosa Mota? O que aqui viram é o resultado dessa reflexão", explicou Penim. No fundo, o retrato imaginado da conceção da obra serve de pretexto para a dupla reviver as suas glórias, como os golos que consagraram Gomes ou a emocionante vitória de Rosa Mota na Maratona de Atenas, em 1982.

É a ideia de meta que norteia os autores. Como as metas que Rosa Mota cortou em Atenas ou em Seul, 1988. Noutra cena a que assistimos durante o ensaio-geral, a antiga atleta irrompe pela plateia com uma bandeira de Portugal e sobe ao palco para receber mais uma medalha. A maratonista espera suscitar nas pessoas o mesmo sentimento de alegria e patriotismo que as suas vitórias suscitaram.

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