Ronaldo defronta segunda principal vítima na UEFA

Real Madrid no caminho do Bayern, a quem o português apontou nove golos em seis jogos. Liverpool ou Roma na final de Kiev

O sorteio das meias-finais da Liga dos Campeões, realizado ontem em Nyon (Suíça), ditou a reedição da eterna final antecipada, entre Bayern Munique e Real Madrid. Eterna final antecipada porque os dois colossos do futebol europeu já se defrontaram por 24 vezes (18 na liga milionária), um recorde nas provas da UEFA, 12 das quais em meias-finais da Champions, mas nunca mediram forças no jogo de atribuição do troféu.

Em seis desses duelos participou Cristiano Ronaldo, autor de nove golos aos bávaros, que são a segunda principal vítima de CR7 nas competições europeias - apenas marcou mais à Juventus (10). O avançado português, 33 anos, é o principal candidato a desequilibrar a balança entre Bayern e Real, que somam 11 vitórias cada (e dois empates) nas duas dúzias de confrontos. Na verdade, CR7 até ajudou a equilibrar a dita balança, uma vez esteve em campo nos derradeiros cinco jogos entre as duas equipas, que terminaram todos com triunfo merengue.

Atração principal das partidas que vão realizar-se no dia 25 em Munique e a 1 de maio na capital espanhola, Ronaldo mereceu os elogios do treinador dos alemães, Jupp Heynckes, que em 1997-98 levou os madridistas à conquista do sétimo (de 12) título europeu. "Na história do futebol sempre houve grandíssimos jogadores e ele figura nessa lista. Juntamente com Messi, é o melhor do mundo. Falo muitas vezes com Toni Kroos [médio do Real Madrid] e ele diz-me o quão profissional e ambicioso Ronaldo é. Isso fala por si. Ronaldo faz isso todos os dias, é por isso que merece elogios. Mas o que importa neste tipo de jogos é a equipa. Oxalá que ele não esteja no seu melhor quando nos defrontar", referiu o veterano técnico de 72 anos, cujo sucessor foi conhecido ontem: o croata Niko Kovac, que atualmente orienta o Eintracht Frankfurt.

O duplo confronto entre os dois gigantes do futebol europeu vai também ficar marcado pelo reencontro de James Rodríguez com o Real Madrid, clube ao qual ainda está ligado contratualmente, embora emprestado ao Bayern. O bávaro Robben e o madridista Kroos também vão defrontar as antigas equipas, com vista à presença na final que se vai realizar no Estádio Olímpico de Kiev, na Ucrânia, a 26 de maio.

A outra meia-final não é considerada uma final antecipada pela imprensa internacional, mas a verdade é que Liverpool e Roma já se defrontaram num jogo de atribuição do troféu e Real Madrid e Bayern não. Aconteceu em 1983-84, com os reds a levarem a melhor sobre os romanos nas grandes penalidades, por 4-2, após 1-1 no final dos 90 minutos e do prolongamento.

Phil Neal e Roberto Pruzzo foram os autores dos golos nesse desafio, curiosamente disputado no Estádio Olímpico de Roma, mas hoje os intervenientes são outros. Agora, Mohamed Salah é a grande figura do Liverpool, que no verão do ano passado o contratou por 42 milhões de euros... à Roma, clube pelo qual brilhou nas duas temporadas anteriores.

Atlético Madrid diante de Arsenal

O cardápio das meias-finais da Liga Europa também tem uma final antecipada, entre Arsenal e Atlético Madrid, dois clubes que nunca se defrontaram para as competições europeias. A primeira mão é em Londres, dia 26, jogando-se a segunda a 3 de maio.

Nas mesmas datas, Marselha e RB Salzburgo vão voltar a medir forças, primeiro em França e depois na Áustria. Os dois conjuntos já se tinham encontrado na fase de grupos - com o V. Guimarães inserido -, com uma vitória dos austríacos em casa (1-0) e um empate em solo gaulês (0-0). A final está agendada para 16 de maio, na cidade francesa de Lyon.

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Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.