Queda faz Froome perder tempo para os rivais diretos

O britânico, líder da geral em Espanha, teve um furo e logo de seguida sofreu uma queda. Nibali está agora a menos de um minuto

O ciclista polaco Tomasz Marczynski (Lotto Soudal) venceu ontem pela segunda vez uma etapa na Volta a Espanha, mas o grande destaque do dia foi o facto de o camisola vermelha Chris Froome ter tido vários contratempos e perdido tempo para os rivais diretos.

As contas para a geral individual aqueceram no final da etapa, com o espanhol Alberto Contador (Trek--Segafredo) a fugir nos últimos 23 quilómetros, primeiro com o irlandês Nicolas Roche (BMC), que não aguentou o ritmo, e depois com um colega de equipa, o belga Dylan Teuns.

Nos últimos 12 quilómetros da etapa, o líder Chris Froome sofreu um furo, sendo obrigado a trocar de bicicleta. E depois uma queda, o que o cortou do restante grupo de favoritos e o deixou ainda mais longe da fuga de Alberto Contador. No final, o ciclista espanhol, que vai colocar um ponto final na carreira após a Vuelta, cortou a meta com 42 segundos de vantagem sobre Froome, que perdeu ainda 20 segundos para o grupo dos favoritos, no qual seguia o italiano Vincenzo Nibali (Bahrain Mérida), que continua segundo da geral, agora a 59 segundos do camisola vermelha.

Contador acabou assim por um dos grandes heróis do dia, pois cortou 22 segundos ao grupo de Nibali e 42 a Froome, ocupando neste momento o nono lugar da geral, mesmo assim ainda a mais de três minutos do ciclista britânico.

Polaco também brilha

Outro dos heróis do dia foi Tomasz Marczynski (Lotto Soudal), vencedor da etapa. O polaco de 33 anos, que já tinha vencido a sexta tirada, cumpriu a ligação entre Motril e Antequera (160,1 quilómetros) em 3:56.45 horas, chegando isolado, com 52 segundos de vantagem sobre um quarteto encabeçado pelos espanhóis Omar Fraile (Dimension Data) e José Joaquín Rojas (Movistar), com os quais tinha andado em fuga.

Antes do arranque da Vuelta 2017, o ciclista de 33 anos nunca tinha alcançado uma vitória numa grande Volta, mas a meio da prova espanhola já tem duas, desta feita chegando isolado, depois de ter levado a melhor aos restantes 13 elementos da fuga do dia.

"Esta vitória é ainda mais bonita do que a primeira", disse o polaco no final da etapa, mesmo que tenha sentido "um pouco de medo", que superou ao rolar "com calma até à subida final".

Quanto aos portugueses, Nélson Oliveira (Movistar) continua a ser o melhor corredor luso, tendo caído para a 30.ª posição da geral, ao ser 81.º na etapa. Rui Costa (UAE Emirates) subiu duas posições para o 36.º posto, depois de ser 91.º na etapa, no mesmo grupo de Oliveira e de Ricardo Vilela (Manzana Postobon), que é 51.º à geral. E Rafael Reis (Caja Rural-Seguros RGA) é 137.º na tabela, depois de hoje ter cortado a meta em 121.º.

Na 13.ª etapa, que se realiza hoje, os ciclistas enfrentam uma ligação plana entre Coín e Tomares, com 198,4 quilómetros, que poderá ser uma das últimas oportunidades para os sprinters se mostrarem na 72.ª edição da Vuelta.

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