Quase seis anos depois Portugal volta a perder um jogo

Equipa das quinas perdeu bem diante da Espanha, por 3-1, na segunda jornada do Europeu da categoria, mas não tem o apuramento comprometido. Grande golo de Bruma, para ver e rever.

Portugal perdeu esta terça-feira, na cidade polaca de Gdynia, diante da Espanha, por 3-1, na segunda jornada do Europeu sub-21. Isto é quase uma novidade pois esta seleção não sofria uma derrota há cinco anos e oito meses e a verdade é que o apuramento não fica comprometido pois a Sérvia empatou, com surpresa, a dois golos diante da Moldávia, adversário da equipa orientada por Rui Jorge na última ronda que a formação lusitana precisa de triunfar para ser o melhor segundo classificado do certame.

É preciso dizer que Portugal perdeu bem, porque a Espanha, sem ser uma equipa dominadora, teve sempre o controlo da partida.

No entanto, a primeira grande oportunidade foi de Portugal com Podence a rematar ao poste logo aos 11 minutos e que grande exibição fez o avançado do Sporting...

Porém, dez minutos volvidos, Saúl fez o primeiro golo num lance em que Rúben Neves e Bruno Fernandes podiam ter feito algo mais e depois o remate final tabelou nas pernas de Edgar Ié, outro das notas altas da seleção portuguesa, muitos furos acima de Rúben Semedo que viu amarelo e, tal como Bruno Fernandes, não pode jogar na última jornada.

Na resposta de novo Podence e Bruno Fernandes mas a verdade é que até ao intervalo Deulofeu e Sandro Ramírez podiam ter aumentado a vantagem espanhola.

No segundo tempo, Portugal entrou decidido a empatar mas o início foi frenético com Podence de novo em evidência e Edgar Ié a salvar um golo em cima da linha. Aos 57' Rui Jorge teve uma decisão muito discutível. Meteu Bruma mas retirou... Podence. Incompreensível a menos que tenha havido uma questão física na base da opção do selecionador.

Aos 64' Portugal sofre o segundo golo por Sandro Ramírez mas manteve a toada em busca de um golo que o recolocasse na luta e a verdade é que ele apareceu com um golo soberbo de Bruma, de fora da área de pé esquerdo. Dificilmente haverá golo melhor neste Europeu. Nesta altura já o apagado Renato Sanches tinha dado o seu lugar a Ricardo Horta e antes Gonçalo Paciência tinha rendido o pouco assertivo João Carvalho.

A machadada final foi dada pelo basco Iñaki Williams, num lance em que Portugal tentava fazer o 2-2. O espanhol esgueirou-se a Kevin Rodrigues, acelerou, passou Rúben Semedo, esquivou-se ao corte deste e atirou a contar de ângulo difícil.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.